Governo britânico diz que palmada não faz mal

Ao ser questionado se dar palmadas numa criança trata-se de punição ou abuso, o governo britânico respondeu hoje com um compromisso: a violência contra crianças é inaceitável, mas uma saudável palmada pode ser boa. A ministra da Saúde, Jacqui Smith, afirmou que o governo não vai introduzir novas leis, há muito reivindicadas pelas entidades de caridade infantil, para proibir os pais de bater em seus filhos. Depois de uma revisão sobre este delicado tema, as autoridades decidiram manter a lei atual, segundo a qual os pais e responsáveis podem usar a punição corporal como um "castigo razoável". O governo chamou a decisão de "bom senso", mas os grupos que cuidam do bem estar das crianças disseram que as autoridades enviaram uma mensagem errada. "A idéia dos tempos de Dickenson acerca do castigo razoável não tem lugar na nossa moderna sociedade civilizada", afirmou Mary Marsh, diretora da Sociedade Nacional para a Prevenção da Crueldade contra as Crianças. "Precisamos equilibrar as necessidades das crianças com a realidade das dificuldades de ser pais", declarou a ministra Smith, que admitiu, num programa de televisão, ter ocasionalmente aplicado palmadas em suas próprias crianças. Tradição - A Grã-Bretanha tem uma longa tradição de castigos corporais. Bater em crianças com uma vara, freqüentemente até que elas começassem a sangrar, foi, durante séculos, uma punição de rotina nas salas de aula, proibida nas escolas apenas em 1998. Naquele mesmo ano, uma pesquisa do governo demonstrou que 88% dos pais concordavam que, às vezes, era necessário dar palmadas em crianças desobedientes.

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