Governo britânico oculta ação de hackers

Ministros são acusados de não revelar extensão de danos e pressionados a adotar posição mais dura com a China

The Guardian e Ap, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2007 | 00h00

Ministros britânicos foram acusados de tentar acobertar a extensão dos ciberataques contra a chancelaria e pressionados a adotar uma posição mais dura com a China com relação aos incidentes. O jornal britânico The Guardian publicou na quarta-feira que hackers chineses, suspeitos de fazer parte do Exército de Libertação do Povo, haviam atacado a rede de computadores de departamentos do governo britânico, entre eles o Ministério de Relações Exteriores.A chancelaria não quis discutir os ataques, dizendo apenas que não comentaria questões de segurança. O Guardian soube que outros importantes órgãos do governo foram atacados pelos piratas. Descobriu-se que um incidente que levou à paralisação de parte do sistema de computadores da Câmara dos Comuns no ano passado foi obra de um grupo de hackers chineses.O deputado trabalhista Andrew MacKinlay, membro do comitê de relações exteriores da Câmara dos Comuns, disse que tentativas para obter informações sobre a escala do problema foram bloqueadas por ministros, entre eles o ex-chanceler Jack Straw, atual secretário da Justiça.Segundo o Guardian, os sistemas de computadores do Departamento de Defesa dos EUA, além do Ministério de Relações Exteriores da Alemanha e do gabinete da chanceler alemã, Angela Merkel, também foram atacados por hackers ligados ao Exército chinês.A China negou ontem ter atacado os sistemas de computador de qualquer governo estrangeiro e disse que nenhuma nação lhe pediu para investigar a suposta invasão cibernética. "Dizer que o Exército da China cometeu ataques cibernéticos contra redes de governos estrangeiros é sem sentido, irresponsável e tem como base motivos ocultos", disse Jiang Yu, porta-voz da chancelaria chinesa.Os críticos dizem que os hackers lançam os ataques para roubar segredos ou tecnologia, para testar a vulnerabilidade do sistema ou mesmo instalar vírus que podem ser ativados em caso de um conflito. Funcionários dos três países atacados rejeitaram apontar oficialmente a China como fonte das invasões. A chanceler alemã discutiu a questão no mês passado com o premiê chinês, Wen Jiabao, mas não pediu uma investigação. O presidente americano, George W. Bush, reuniu-se ontem em Sydney com seu colega chinês, Hu Jintao, e, apesar de terem discutido temas espinhosos, como liberdade religiosa e mudança climática, não falaram sobre o ciberataque ao Pentágono.

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