Governo britânico pára de usar a frase ´guerra ao terror´

Num rompimento com seu mais próximo aliado, o governo britânico parou de usar a frase "guerra ao terror", cunhada pelo presidente dos EUA, George W. Bush, logo depois dos atentados de 11 de Setembro, disse uma ministra do gabinete em um discurso nesta segunda-feira.A secretária de Desenvolvimento Internacional, Hilary Benn, uma estrela em ascensão do Partido Trabalhista, disse que a expressão dá força aos terroristas ao inseri-los em um conflito maior."Nós não usamos a frase ´guerra ao terror´ porque não podemos vencer apenas por meios militares e porque não estamos lutando contra um inimigo organizado com uma clara identidade e uma série de objetivos coerentes," discursou Benn no Centro de Cooperação Internacional da Universidade de Nova York."É a vasta maioria das pessoas do mundo - de todas as nacionalidades e fés - que está contra um pequeno número de grupos soltos, inconstantes e diferenciados, que têm poucos pontos em comum, a não ser uma visão distorcida do mundo e a idéia de fazer parte de algo maior."Segundo ela, o que os grupos pretendem é "forçar seus valores individuais e estreitos sobre os outros sem diálogo, sem debate, com violência. E ao deixar que eles se sintam parte de algo maior, nós lhes damos força."Bush continua a usar a frase em seus discursos, mas muitas autoridades britânicas consideram atualmente o conceito vago e simplista. O discurso de Benn confirma um discreto afastamento da política britânica com a de seu mais próximo aliado.Um porta-voz do primeiro-ministro, Tony Blair, disse não se recordar quando ele usou pela última vez a frase "guerra ao terror.""Nós usamos nossos próprios termos e quando falamos sobre terrorismo falamos sobre a luta contra o terrorismo, mas também discutimos como encontrar soluções políticas para problemas políticos," disse ele em condição de anonimato, em linha com a política do governo.Benn instou os americanos a usarem o "poder de persuasão" dos valores e idéias, bem como a força militar, para derrotar o extremismo.Os comentários de Benn são, no final, dirigidos ao próprio Partido Trabalhista, apreensivo com a aliança estreita de Blair com Bush, e em sua maioria contra a participação da Grã-Bretanha na Guerra do Iraque. Been é a favorita para virar a vice-líder do Partido Trabalhista em uma eleição que será realizada depois que Blair deixar o cargo de primeiro-ministro, no segundo semestre.

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