REUTERS/Henry Nicholls
REUTERS/Henry Nicholls

Com piora da pandemia, governo britânico quer coibir tradição do beijo no Natal

A declaração provocou reações dos britânicos, já que beijar os parceiros embaixo de um galho de visco é um dos rituais mais aguardados da festa natalina

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2021 | 10h00

LONDRES - A ministra britânica Thérèse Coffey aconselhou as pessoas não se beijem debaixo do galho de viscos durante as festas de Natal - uma das principais tradições natalinas do país. Segundo ela, a chegada da variante Ômicron do coronavírus traz uma nova camada de precauções à pandemia.

“Eu não acho que deveria haver muitos beijos sob o visco. Não precisa fazer coisas assim ”, disse a ministra do gabinete do primeiro-ministro Boris Johnson. Ela foi questionada em uma entrevista na televisão se os britânicos deveriam mudar seu social comportamento nas próximas semanas devido à covid-19.

“Mas acho que todos devemos tentar aproveitar o Natal que temos pela frente e é por isso que estamos trabalhando tanto para conseguir a distribuição do maior número possível de vacinas”, acrescentou.

Tradição secular

Beijar embaixo do visco durante as celebrações natalinas é uma tradição antiga dos britânicos. Não se sabe a origem da tradição, mas especula-se que tenha surgido em meados de 1700 e se popularizado apenas em 1800.

Diversos filmes britânicos já referenciaram o beijo debaixo dos galhos de visco, como Harry Potter e a Ordem da Fênix.

A escolha pelo visco, acredita-se, se dá pelo seu símbolo mitológico de fertilidade e vida. Em outras culturas, a planta também é entendida como sorte e serve para presentear familiares e amigos.

Por isso, a declaração da ministra causou respostas nas redes sociais, com britânicos acusando o governo de apontar quem e quando elas deveriam beijar.

“Devo beijar quem eu quiser e com a frequência que eu quiser”, escreveu uma pessoa no Twitter. Outro disse: “Algumas coisas são mais importantes do que este vírus. Vamos ser sensatos, mas também ser humanos… Para algumas pessoas solitárias, será muito importante.”

Alguns relembraram o caso do ministro da Saúde britânico que pediu demissão após ser flagrado beijando uma colega em seu escritório enquanto o governo apertava as restrições contra a covid-19.

'A estraga-prazeres'

O tabloide Daily Mail chamou a ministra de "estraga-prazeres de natal" em sua primeira página.

Coffey imadiatamente respondeu nas redes sociais, pedindo para que as pessoas vejam a entrevista completa. "Não beijem pessoas que vocês não conheçam", acrescentou. E destacou que o governo tem trabalhado para aplicar as doses de reforço, assim todos podem aproveitar as festividades.

O Reino Unido já confirmou dezenas de casos da variante Ômicron e desde o último sábado, 27, tem apertado as suas medidas de restrição. Entre elas, o uso obrigatório de máscaras no transporte público e comércio, o isolamento de todos os contatos de pessoas suspeitas da variante, além de exames RT-PCR para todos os viajantes até dois dias antes da chegada.

O vice-diretor médico da Inglaterra alertou que “o Natal e, na verdade, todos os meses de inverno, serão potencialmente problemáticos”.

Ano passado, durante o endurecimento das restrições no país, o governo britânico chegou a proibir que duas ou mais pessoas de diferentes famílias de se encontrassem em ambientes fechados ou passassem a noite juntos. Na época, a medida já provocou críticas por parte dos britânicos que apelidaram de "proibição do sexo".

Com as reações, o governo flexibilizou as regras e permitiu que adultos solteiros formassem bolhas de apoio com outras pessoas durante a quarentena.

Boris Johnson e alguns de seus ministros estão sendo alvo de críticas da oposição devido a relatos de festas de Natal realizadas em escritórios da Downing Street ano passado. Na ocasião, os britânicos não tinham permissão para se reunirem em ambientes fechados. Johnson não negou que as festas foram realizadas em seus escritórios, mas disse que nenhuma regra foi quebrada./ WASHINGTON POST

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