Stefan Rousseau/Pool via REUTERS
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Governo britânico planeja reabertura total na Inglaterra em 19 de julho

Em pronunciamento nesta segunda-feira, 5, premiê Boris Johnson afirmou que todas as medidas restritivas serão eliminadas se os indicadores epidemiológicos estiverem positivos no dia 12 de julho

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de julho de 2021 | 12h02
Atualizado 05 de julho de 2021 | 15h53

Durante o longo período de pandemia da covid-19, o primeiro-ministro Boris Johnson e o governo britânico adoraram lançar slogans engenhosos. O mais recente é "Mãos, Rosto, Espaço". Antes disso, "Fique alerta, controle o vírus, salve vidas". Além de mais alguns antes disso. Agora, a ênfase está claramente mudando das regras estabelecidas pelo governo para a responsabilidade dos indivíduos.

O premiê anunciou, nesta segunda-feira, 5,  que, se tudo avançar como o previsto, no dia 19 de julho serão eliminadas as restrições contra a covid-19 restantes na Inglaterra, de modo que o uso de máscara e o distanciamento social passarão a ser opcionais. Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte têm os âmbitos de discussão próprios sobre temas sanitáriose e decidem seus ritmos de desconfinamento.

Em entrevista coletiva, Johnson detalhou que, se em 12 de julho forem confirmados dados epidemiológicos favoráveis, na semana seguinte serão eliminadas as "limitações legais", permitindo a reabertura dos setores ainda fechados da economia, como grandes eventos e lazer noturno. Também não haverá limite de capacidade em teatros e cinemas ou para que as pessoas se reúnam em locais fechados e ao ar livre. A continuidade do trabalho remoto ficará a critério das empresas.

O anúncio era aguardado com expectativa e apreensão por se dar em meio a um aumento do número de infecções no país. O número de casos cresce, dobrando a cada oito dias, principalmente pelo avanço da variante Delta - detectada inicialmente na Índia. A nova cepa agora é dominante no Reino Unido e os cientistas estimam que pode ser 40% a 60% mais transmissível do que a variante alfa que era predominante anteriormente.

A variante alterou a data de reabertura, prevista anteriormente para o dia 21 de junho, sendo adiada para 19 deste mês em razão da escalada de infecções. Apesar do cenário atual ser preocupante, ministros de governo têm repetido, nos últimos dias, a linha de que o público deve agora "aprender a viver com o vírus", o que levanta a questão do que as pessoas têm feito nos últimos 16 meses, em meio a três lockdowns nacionais e 128.000 mortes.

Os ministros admitem que as infecções provavelmente aumentarão quando as regras forem flexibilizadas, mas o governo espera que o número de hospitalizações e mortes seja limitado pela campanha de vacinação em andamento, uma das mais bem-sucedidas do mundo. Cerca de 45 milhões de pessoas receberam a primeira dose da vacina no Reino Unido - aproximadamente 85% da população adulta - e outros 33 milhões receberam a segunda.

Johnson também afirmou que trabalha com o setor turístico e as companhias aéreas para tentar eliminar a obrigação da quarentena para os viajantes vacinados que voltarem ao Reino Unido de determinados países. O ministro do Transporte, Grant Shapps, antecipou que haverá um anúncio sobre o assunto nesta semana. 

O ministro da Educação, Gavin Williamson, detalhará na terça-feira as novas regras a serem aplicadas nas escolas, que possivelmente eliminarão a obrigação dos estudantes de se isolarem durante dez dias se tiverem estado em contato com um colega de turma que tenha testado positivo para a covid-19.

Johnson reconheceu que, à medida que as restrições são flexibilizadas, os contágios aumentarão, impulsionados pela nova cepa dominante no país, mas argumentou que o verão, com as escolas fechadas, é o melhor momento para aprender a conviver com a doença. 

"Se não abrirmos agora, então quando?", questionou, ao dizer que o governo tomou uma decisão "ponderada e equilibrada" de proceder à desescalada do confinamento de janeiro, devido ao "sucesso" do programa de vacinação.

Críticas à reabertura total

Um dos pontos mais polêmicos da decisão atual é sobre a não obrigatoriedade do uso de máscara - embora ainda seja recomendado - e a suspensão das medidas de distanciamento social. Para evitar um agravamento da pandemia, especialistas em saúde pediam que as autoridades mantivessem pelo menos alguns regulamentos, incluindo esses dois pontos.

"Não é uma decisão binária de tudo ou nada", disse o Chaand Nagpaul, presidente do Conselho da Associação Médica Britânica, acrescentando que tais medidas minimizariam o impacto do aumento das infecções.

A Pesquisadora da University College London e membro do comitê Sage de conselheiros científicos do governo, Susan Michie tuitou: "Permitir que a transmissão comunitária aumente é como construir novas 'fábricas de variantes' em um ritmo muito rápido".

Novo comando na saúde

A reabertura no Reino Unido ocorre sob a gestão um novo secretário de saúde, Sajid Javid. Ele substitui Matt Hancock, que renunciou no final de junho, após um escândalo envolvendo a publicação de fotos suas com uma assessora.

Em contraste com a abordagem mais cautelosa de Hancock, Javid está entusiasmado para avançar e abrir o país totalmente. Ele reconheceu que algumas pessoas ficarão doentes e algumas morrerão, mas disse que a pandemia está sob controle e é hora de seguir em frente.

"Nenhuma data que escolhermos vem com risco zero para a covid", disse Javid à Câmara dos Comuns. "Não podemos eliminá-lo; em vez disso, temos que aprender a conviver com isso".

Em um artigo para o Mail on Sunday, Javid escreveu que os meses de restrições tiveram um grande custo: "As regras que tivemos que implementar causaram um aumento chocante na violência doméstica e um impacto terrível na saúde mental de muitas pessoas"./ EFE, W.Post e NYT

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