Alexei Nikolsky / Sputnik / AFP
Alexei Nikolsky / Sputnik / AFP

Governo britânico responsabiliza Putin por ataque a ex-espião russo com agente neurotóxico

Secretário de Estado de Segurança do Reino Unido diz que presidente é responsável ‘em última instância’ pelo ocorrido já que ‘seu governo controla, financia e dirige a inteligência militar’; Kremlin diz que acusação é 'inadmissível'

O Estado de S.Paulo

06 Setembro 2018 | 06h58
Atualizado 06 Setembro 2018 | 09h48

LONDRES - O secretário de Estado de Segurança do Reino Unido, Ben Wallace, responsabilizou nesta quinta-feira, 6, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, pelo ataque com o agente neurotóxico Novichok contra um ex-espião russo.

Em entrevista à BBC Radio 4, ele disse que Putin é responsável "em última instância", já que "é o presidente da Federação Russa e seu governo controla, financia e dirige a inteligência militar - o GRU - por meio de seu ministro da Defesa". "Eu não acredito que ninguém possa dizer que Putin não controla o Estado", ressaltou Wallace, acrescentando que o mandatário "está rodeado" de agentes do GRU.

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O político insistiu que o serviço secreto russo não atua por sua conta, mas "está dirigido e vinculado" às Forças Armadas e ao Ministério da Defesa do país e, em consequência, "ao Kremlin e ao gabinete do presidente".

Wallace garantiu que o Reino Unido usará "todos os seus efetivos" para "confrontar as atividades malévolas russas" e destacou que isso já está sendo feito, mas "à maneira britânica", "dentro da lei e de forma sofisticada".

Moscou considerou "inadmissível" a acusação do político britânico contra Putin. "Qualquer acusação contra o poder russo é inadmissível para nós", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. "Nem as altas autoridades da Rússia, nem os responsáveis de um nível menos importante (...) tem qualquer relação com o que aconteceu em Salisbury", completou.

Suspeitos

O Reino Unido identificou na quarta-feira os supostos autores do ataque com Novichok contra Serguei Skripal, ex-agente do GRU, e sua filha Yulia no início de março em Salisbury, sudoeste do Reino Unido, como dois agentes do GRU. Os Skripal foram contaminados ao tocar a maçaneta da porta de sua residência e passaram várias semanas hospitalizados.

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No fim de junho, o casal britânico Charlie Rowley e Dawn Sturgess se intoxicaram acidentalmente na cidade vizinha de Amesbury com a mesma substância, que estava dentro de um frasco de perfume encontrado em um contêiner. Dawn não resistiu e morreu dias depois.

A Rússia rejeitou as acusações de quarta-feira de Londres e lembrou que não é o único país que tem as "capacidades técnicas", "experiência" e "razões" para o uso do agente neurotóxico. / EFE

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