´Governo britânico sabia que Saddam não era uma ameaça´

Um diplomata que representou o Reino Unido na ONU revelou que o governo de Tony Blair sabia que o ex-presidente iraquiano Saddam Hussein não representava uma ameaça nem tinha armas de destruição em massa, segundo a edição desta sexta-feira do jornal The Independent.Carne Ross, que renunciou a seu cargo por discordar da Guerra do Iraque, fez tais revelações durante a investigação de Lorde Butler, que em 2004 determinou que o Executivo não manipulou a informação com a qual se justificou a invasão.As afirmações de Ross foram anunciadas agora porque a Comissão Parlamentar de Exteriores considerou que sua divulgação não viola a lei de segredos oficiais, segundo o jornal. Em sua declaração ao Lorde Butler, Ross, cuja função era, entre outras, negociar resoluções sobre o Iraque e o Afeganistão com os demais membros da ONU, disse que em nenhum momento, durante seus anos de serviço, o governo britânico julgou que "as armas de destruição em massa ou quaisquer outras do Iraque representassem uma ameaça para o Reino Unido ou seus interesses". Um dos argumentos de Blair para ir à guerra, que da mesma forma que os outros depois se demonstrou falso, era que o Iraque podia ativar suas armas nucleares contra o Reino Unido em 45 minutos. Ross disse que, antes da guerra, a crença no Ministério de Exteriores era de que Saddam "estava contido". Inclusive, os diplomatas britânicos tinham advertido a seus colegas americanos que não era aconselhável derrubar o dirigente, porque o país árabemergulharia no caos.O diplomata, que tem uma ONG de assessoria sobre conflitos internacionais, também disse ao juiz aposentado que "não havia provas significativas de (que o Iraque tivesse) armas químicas, biológicas ou nucleares". Ross acrescentou que também não havia indícios de que o governo iraquiano planejasse lançar um ataque contra seus vizinhos, os Estados Unidos ou o Reino Unido.

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