EFE/Andy Rain
EFE/Andy Rain

Governo britânico tenta amenizar mal-estar da UE com relação à segurança após fala de May

Premiê britânica indicou na quarta-feira que se não houver um acordo comercial entre o país e o bloco, a luta contra o terrorismo e o crime pode ser ‘enfraquecida’; Bruxelas interpretou afirmação como chantagem

O Estado de S.Paulo

30 de março de 2017 | 10h24

LONDRES - O governo do Reino Unido tentou minimizar nesta quinta-feira, 30, a importância do mal-estar causado na União Europeia (UE) pela aparente ameaça da primeira-ministra britânica, Theresa May, de retirar a cooperação no âmbito de segurança se não for estabelecido um acordo comercial.

Na carta enviada na quarta-feira 29 ao presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, na qual comunicou oficialmente a ativação do Brexit - a saída britânica da UE -, May indicou que o fracasso para se chegar a um acordo pode ter consequências na luta contra o terrorismo e o crime, que pode "ser enfraquecida".

A afirmação causou inquietação em Bruxelas ao ser interpretada como uma chantagem por parte do governo conservador britânico. No entanto, o ministro de Trabalho e Previdência do Reino Unido, Damien Green, disse, em declarações à rede BBC, que a repercussão foi fruto de um "mal-entendido" e não se trata de "uma ameaça".

O ministro para o Brexit, David Davis, também tentou diminuir a importância do assunto e destacou que o trecho sobre segurança faz parte da negociação para a saída do Reino Unido da UE, prevista para 2019.

Davis insistiu em entrevista à emissora ITV que conversou com políticos dos demais países do bloco e todos destacaram os aspectos positivos contidos na carta. A primeira-ministra mencionou no documento que as atuais medidas em termos de segurança e de luta contra o crime terão que ser negociadas.

"Passei toda a tarde de ontem (quarta-feira) falando por telefone com meus colegas no Parlamento (Europeu), na Comissão, com todos os Estados-membros (da UE). Quase todos disseram de maneira espontânea que é uma carta muito positiva, que o tom foi bom", ressaltou Davis. "Uma parte do acordo é o ramo de Justiça e Assuntos Interiores. Atualmente, temos regras de troca de informação, de ordem de detenção", acrescentou o ministro.

"Teremos que trocá-lo por outra coisa, pois isso vai acabar quando deixarmos a UE", disse Davis, ao acrescentar que o tema faz parte da "negociação", pois "a outra parte (a UE) também pode querer modificar algumas coisas".

Davis reiterou que a menção à segurança não é uma ameaça, mas "uma constatação dos fatos". "Estamos em busca de um acordo completo que cubra o comércio, a segurança e todos os aspectos de nossa relação atual para benefício de todos", detalhou.

O negociador do Parlamento Europeu para o Brexit, Guy Verhofstadt, ao ser questionado pela imprensa se achava que May buscava recorrer a uma "chantagem", respondeu: "Tento ser um cavalheiro, portanto, para uma dama sequer uso ou penso na palavra chantagem", informaram veículos de imprensa britânicos.

Recepção. Líderes da UE receberam bem o tom da carta enviada por Theresa May, disse o porta-voz da premiê a repórteres nesta quinta-feira.

Segundo ele, May conversou com o presidente do Parlamento Europeu e os líderes de Irlanda, Polônia, Itália, França e Espanha desde que o Reino Unido deu início formalmente ao processo de saída da UE.

"Foram acolhedoras, construtivas", disse o porta-voz quando questionado sobre os telefonemas. "O retorno que tivemos é que o tom da carta foi apreciado e considerado construtivo.” / EFE e REUTERS

Tudo o que sabemos sobre:
Reino UnidoTheresa MayBrexit

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.