Governo Bush sabia de ''tortura'' desde 2002

Funcionários graduados aprovaram uso de técnicas duras, diz relatório

R. Jeffrey Smith e Peter Finn, The Washington Post, O Estadao de S.Paulo

23 de abril de 2009 | 00h00

Condoleezza Rice, o então secretário de Justiça, John Ashcroft, e outros membros de alto escalão do governo de George W. Bush revisaram e aprovaram em meados de 2002 que a Agência Central de Inteligência (CIA) usasse métodos duros de interrogatório, entre eles a simulação de afogamento que o atual secretário da Justiça, Eric Holder, descreveu como tortura ilegal. A informação consta em um detalhado relatório secreto que foi liberado por Holder a pedido da Comissão de Inteligência do Senado.A revelação se dá enquanto o Departamento de Justiça estuda se ex-funcionários que determinaram a política de interrogatório ou formularam as justificativas legais para ela devem ser investigados por possíveis crimes. O relatório lista os membros do governo Bush que estavam presentes quando o diretor da CIA explicou exatamente quais métodos de interrogatório seriam usados.Condoleezza deu sua aprovação quando, como assessora de Segurança Nacional de Bush, ela se encontrou em 17 de julho de 2002 com o então diretor da CIA, George Tenet. Segundo o relatório, ela disse que "a CIA poderia levar adiante o interrogatório de Abu Zubeida" desde que com aprovação do Departamento de Justiça. Zubeida, foi capturado no Paquistão em março de 2002. Ele foi o primeiro detido de alto valor sob custódia da CIA e a agência acreditava que o integrante da Al-Qaeda tinha "informações sobre iminentes ameaças", indicou o relatório.Condoleezza e outros quatro funcionários do governo foram informados em março de 2002 pela primeira vez sobre os "métodos alternativos de interrogatório, incluindo a simulação de afogamento", de acordo com o documento.Em julho de 2003, a CIA comunicou o uso da simulação de afogamento a Condoleezza, a Ashcroft, ao vice-presidente Dick Cheney, ao conselheiro da Casa Branca Alberto Gonzalez e ao assessor legal do Conselho de Segurança Nacional John Bellinger. Eles "reafirmaram que o programa da CIA estava dentro da lei e refletia a política do governo".Os EUA já haviam capturado Khalid Sheikh Mohammed, autoproclamado mentor dos ataques do 11 de Setembro, que passou 183 vezes pela simulação de afogamento em março de 2003. O então secretário de Estado, Colin Powell, e o então secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, foram informados sobre o programa em setembro de 2003. CIENTESCondoleezza Rice - Então conselheira de Segurança Nacional, apoiou, em 2002, técnicas de interrogatório como a simulação de afogamentoJohn Ashcroft - Secretário de Justiça dividiu com Rice decisão de aprovar práticasAlberto Gonzalez - Conselheiro jurídico da Casa Branca, criou o arcabouço legal para o uso das técnicas em 2003Colin Powell e Donald Rumsfeld - Souberam do programa em 2003

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