AP Photo/Manu Fernandez
AP Photo/Manu Fernandez

Governo catalão divulgou falso número de feridos durante plebiscito, diz 'El País'

Jornal aponta excessos da polícia espanhola, mas diz que, segundo o direito internacional, o fato de 893 pessoas serem atendidas por médicos não significa que elas foram feridas; principal diário catalão defende cifras divulgadas pelo governo regional

O Estado de S.Paulo

04 Outubro 2017 | 11h58

MADRI - O jornal espanhol El País publicou na terça-feira artigo em sua edição digital questionando a informação divulgada pelo governo regional da Catalunha de que 893 pessoas foram feridas durante as ações da polícia espanhola para impedir a votação no plebiscito separatista, no domingo.

Catalães protestam contra repressão de Madri

De acordo com a publicação, o Departamento de Saúde catalão, responsável pela gestão dos tratamentos de saúde na região, informou que apenas quatro pessoas foram internadas em hospitais, duas delas em estado grave.

"Não há dúvidas de que pessoas foram feridas como resultado das ações da Polícia Nacional e da Guarda Civil. As imagens provam", diz o jornal, ao questionar, porém, quantos realmente ficaram machucados e quantos receberam apenas atenção ou pequenos tratamento pelas equipes de emergência.

O jornal cita a ONG Médicos sem Fronteiras para dizer que são consideradas feridas, pelo direito internacional, "pessoas uniformizadas ou civis que precisam de atenção médica em razão de sofrerem de traumas, enfermidades ou outros transtornos físicos ou mentais". 

"É possível que essas 893 pessoas tenham sofrido traumas ou enfermidades? Em diversas ocasiões ao longo do domingo, a conta oficial no Twitter do Departamento de Saúde da Catalunha relatou que 'a maioria dos atendidos tinham contusões, tontura e crises de ansiedade'."

Além disso, segundo o jornal, na segunda-feira o serviço de saúde da Catalunha publicou uma série de documentos em catalão, inglês e francês nos quais admitiria que o número de 893 representava todos as pessoas atendidas pelos médicos. "Está claro que só porque uma pessoa recebeu atenção de um médico isso não significa que ela foi ferida ou está doente", afirma El País.

La Vanguardia, o principal jornal catalão, também entrou na discussão sobre o número de feridos durante a votação sobre a independência da região e divulgou na segunda-feira um comunicado do Departamento de Saúde catalão sobre a cifra. 

O departamento explicou que os 893 feridos "se referem a cidadãos que receberam assistência médica por parte dos serviços de emergência, dos centros de atendimento continuado e dos hospitais da Catalunha".

Nesta quarta-feira, 4, o conselheiro de saúde da Catalunha, Toni Comín, disse em entrevista à Catalunya Radio que denunciaria Fernando Martínez-Maillo, coordenador-geral do Partido Popular (PP) - o mesmo do premiê Mariano Rajoy -, depois de o político madrilenho qualificar de "farsa" o número pessoas atendida pelo governo catalão. "É uma injúria, um insulto", disse Comín, exigindo que a autoridade de governo central "se retificasse".

Um dia depois do balanço fornecido pelo governo catalão, o ministério do Interior espanhol sustentou que 431 policiais ou integrantes da Guarda Civil ficaram feridos no domingo. O governo espanhol computou arranhões, chutes e mordidas entre as causas de ferimentos.

Sobre esses dados, Comín afirmou que apenas nove policiais espanhóis foram atendidos em hospitais públicos catalães. "Os outros 421 são um mistério. Eles (o ministério) terão que explicar onde foram atendidos esses policiais supostamente feridos", disse. "Pode ser que dentro dos barcos - usados por Madri para levar os policiais até a região - tivesse um hospital e nós não soubéssemos", ironizou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.