David Armengou/EFE
David Armengou/EFE

Governo catalão tinha recebido alerta de possível atentado

Segundo as autoridades, o aviso tinha sido dado por 'outras fontes', não pela CIA, e a conclusão foi a de que tinha 'credibilidade baixa'

O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2017 | 17h00

BARCELONA -  O governo da região autônoma da Catalunha afirmou nesta quinta-feira que recebeu um aviso de um possível atentado em Barcelona, mas "por outras fontes", não pela CIA, e, após uma avaliação, concluiu que era de "credibilidade muito baixa".

O conselheiro de Interior da Catalunha, Joaquim Forn, disse em entrevista coletiva que seu departamento comunicou este aviso ao governo da Espanha, que tampouco deu relevância à ameaça, de modo que o assunto não foi abordado nas reuniões de avaliação antiterrorista em 25 de maio e 8 de junho.

Segundo o jornal catalão El Periódico, a polícia recebeu um alerta da CIA em 25 de maio, que avisava que o Estado Islâmico (EI) planejava agir no verão, "especificamente nas Ramblas", rua de Barcelona onde os jihadistas cometeram um atentado em 17 de agosto, que deixou 15 mortos.

De acordo com o jornal, que publica um fac-símile de uma mensagem em inglês, o Centro Nacional de Contra-Terrorismo (NCTC) americano, que reúne, entre outros, CIA e FBI, transmitiu a advertência ao Centro Nacional de Inteligência (CNI) espanhol e às polícias nacional e catalã.

"Informações não confirmadas de veracidade desconhecida do fim de maio de 2017 indicavam que o Estado Islâmico do Iraque e ash-Sham (ISIS) estava planejando executar ataques terroristas não especificados durante o verão contra locais turísticos muito movimentados em Barcelona, Espanha, especificamente na avenida La Rambla", afirma o texto que o jornal atribui ao NCTC.

A rádio Cadena SER citou "fontes da luta antiterrorista" que teriam afirmado que o documento divulgado pelo El Periódico de Cataluña é autêntico.

A nota da CIA chegou ao Centro Nacional de Inteligência (CNI) - serviço secreto espanhol - e às forças de segurança nacional, que por sua vez informaram ao governo da Catalunha.

Apesar do atentado, o dispositivo de segurança nas Ramblas havia sido ampliado, segundo Forn, que denunciou uma campanha de "difamação e desprestígio" contra a polícia catalã.

O conselheiro destacou que, dias após o ataque nas Ramblas, o governo espanhol confirmou às autoridades catalãs que nenhum dos avisos recebidos anteriormente sobre a ameaça terrorista tinha relação com os atentados perpetrados em Barcelona e em Cambrils.

Em 17 de agosto, um jovem marroquino residente na Espanha avançou em alta velocidade com uma van pela avenida de Las Ramblas, um atentado que deixou 14 mortos e mais de 120 feridos.

No total, ele e seus cúmplices de uma célula jihadista provocaram 16 mortes em Barcelona e em Cambrils, uma cidade turística da Catalunha, em ataques reivindicados pelo grupo Estado Islâmico (EI). / EFE e AFP

 

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