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Governo censura novela na Venezuela

Segundo comunicado do órgão, produção ‘glorifica a vida de pessoas envolvidas no narcotráfico’ e ‘promove valores contra a família’

O Estado de S. Paulo

09 de novembro de 2015 | 04h00

CARACAS - A oposição da Venezuela começou ontem a utilizar redes sociais para divulgar capítulos da novela La Reina del Sur (exibida no Brasil pelo GNT com o nome de A Rainha do Tráfico), censurada no sábado pela Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel), que proibiu a operadora Directv de transmitir a produção. 

A justificativa para a medida do órgão, subordinado ao Ministério do Poder Popular para Comunicações e Informação, é que a novela “glorifica a vida de pessoas envolvidas no narcotráfico, promovendo valores que atentam contra a família venezuelana”, informou a Conatel por meio de comunicado dirigido ao presidente executivo da Directv, Alexander Elorriaga.

Apesar da proibição, todos os 63 capítulos da novela estão disponíveis gratuitamente no YouTube. Como forma de protestar contra a decisão da Conatel, opositores do governo chavista do presidente Nicolás Maduro passaram a distribuir links para os capítulos.

A produção, escrita pelo espanhol Arturo Pérez Reverte e lançada em 2011, conta a história de uma mulher mexicana, nascida em Sinaloa, que se muda para a Espanha, onde acaba se envolvendo com redes de contrabando e narcotráfico. La Reina del Sur, que estrearia no dia 10 de novembro, é a novela mais cara já produzida pela emissora mexicana Telemundo.

O autor de novelas venezuelano Leonardo Padrón se manifestou contra a medida e publicou em seu perfil no Twitter que a “Conatel proíbe a transmissão da novela porque ela promove antivalores. Então, deveria proibir a realidade nacional”. 

A carta enviada a Elorriaga lembra que a Conatel já havia chamado a atenção da operadora pela veiculação de programas que não seguem “os regulamentos em questão no país”, que procuram “contribuir com a cidadania, democracia, direitos humanos, paz, cultura, educação e saúde dos venezuelanos”. 

Segundo o jornal El Universal, o diretor-geral da Conatel defendeu a decisão nas redes sociais e afirmou que a produção é uma “narconovela” já que “expressa graves violações à Lei de Responsabilidade social no rádio, televisão e meios eletrônicos, afetando gravemente usuários do serviço, assim como crianças e adolescentes”. 

Espaço aéreo. O governo da Venezuela alegou ontem que teve seu espaço aéreo invadido por um avião da inteligência da Guarda Costeira dos Estados Unidos – e outras aeronaves do mesmo tipo estariam sobrevoando áreas próximas do território venezuelano.

“Há 48 horas, um avião da inteligência da Guarda Costeira dos Estados Unidos decolou da base aérea em Curaçao”, disse o ministro de Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, a uma rede de televisão. “A parte mais séria é que esse avião, um Dash-8, violou o espaço aéreo, nosso espaço aéreo”, acrescentou. Padrino detalhou que a violação ocorreu na sexta-feira e a denúncia “foi transmitida à chancelaria para fins pertinentes”.

O ministro disse que “de maneira incomum, foram se aproximando da área de influência do país aeronaves da inteligência dos EUA, também com sede em Curaçao”.

Os aviões eram do tipo RC-135 “com capacidade de fazer imagens, sinais e radionavegação”, acusou Padrino. Eles navegam acompanhados por uma aeronave maior, identificada como do tipo “C-17 Globemaster”, de transporte militar pesado de longo alcance, “usado para o transporte estratégico rápido de tropas, paraquedistas e suprimentos”.

O ocorrido chamou a atenção do Comando Estratégico Operacional da FANB (Forças Armadas Nacionais Bolivarianas da Venezuela) às vésperas das eleições parlamentares, em 6 de dezembro.

Padrino afirmou que a presença de porta-aviões também “chama a atenção em razão dos acontecimentos de 2002, quando unidades de superfície” dos EUA foram detectadas durante o golpe de Estado que derrubou por 48 horas o então presidente Hugo Chávez. /EFE e REUTERS

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