Roberto Candia/AP
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Governo chileno e estudantes avançam em diálogo após novas passeatas

Presidente chileno anunciou aumento de 7,2% no orçamento para educação

Efe

30 Setembro 2011 | 09h33

SANTIAGO DO CHILE - O Governo chileno e os estudantes acordaram nesta quinta-feira, 29, iniciar na próxima quarta uma reunião de trabalho que terá a gratuidade como primeiro tema, após uma nova jornada de manifestações que terminou com o anúncio de que o orçamento para a educação aumentará 7,2% em 2012.
 
O ministro da Educação, Felipe Bulnes, se reuniu com representantes dos estudantes universitários, do ensino médio e do Colégio de Professores para tentar promover um diálogo que permita pôr fim a este conflito, que já dura quatro meses.
 
A reunião aconteceu apenas três horas depois de os estudantes terem protagonizado uma grande passeata na capital e pouco antes de o presidente chileno, Sebastián Piñera, anunciar que o orçamento para a educação aumentará em 2012 a US$ 11,65 bilhões.
 
"Foi uma reunião complexa, que no final terminou com um bom passo, que é ter uma próxima reunião de trabalho já na próxima quarta-feira", declarou Bulnes, que precisou que o primeiro assunto debatido será a gratuidade da educação.
 
Essa é uma das principais reivindicações dos estudantes, mas até agora o Governo viu com receio o avanço à gratuidade total, e argumenta que não seria justo oferecer educação de graça aos estudantes que podem pagar por ela.
 
Com a reunião desta quinta-feira foi retomado o diálogo que ficara suspenso desde o encontro de Piñera com estudantes e professores em 3 de setembro.
 
A reunião foi possível depois que os universitários aceitaram sentar-se para dialogar com o Governo, mas sem suspender as mobilizações nem retornar às aulas, ponto este que fora solicitado pelo Executivo.
 
Enquanto os universitários e alunos do ensino médio ratificaram que não voltarão às salas de aula até que haja uma solução concreta nessa primeira mesa de trabalho, Bulnes ressaltou que se as classes não forem retomadas o Governo não poderá reprogramar o calendário letivo.
 
Os estudantes, como sustentaram reiteradamente, também não suspenderão as mobilizações, e nesta quinta-feira voltaram a sair às ruas em várias cidades do país.
 
Em Santiago, cerca de 90 mil pessoas, segundo conta dos estudantes, participaram de uma passeata que transcorreu de forma pacífica mas que, assim como em ocasiões anteriores, finalizou com enfrentamentos entre a Polícia e grupos de encapuzados.
 
Os distúrbios deixaram 114 detidos, além de dez carabineiros e quatro civis feridos, segundo balanço da governadora da região metropolitana de Santiago, Cecilia Pérez.
 
As mobilizações continuarão na próxima quinta-feira, com uma nova jornada de passeatas em todo o país.
 
Por outro lado, será enviado ao Congresso nesta sexta-feira o projeto de lei de orçamento para 2012 que, segundo anunciou Sebastián Piñera, chega a US$ 60 bilhões.
 
Deste montante, US$ 11,65 bilhões serão destinados a educação, com um aumento de 7,2% na comparação com este ano, ressaltou Piñera, cuja aprovação nas pesquisas é de apenas 22%, a mais baixa de um governante chileno desde a recuperação da democracia, em 1990.
 
Os jovens pedem uma reforma do sistema imposto durante a ditadura de Augusto Pinochet, que os obriga a assumir grandes dívidas para poder financiar seus estudos.

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