Governo chileno se diz disposto a dialogar

O governo do Chile manifestou nesta quarta-feira sua disposição de dialogar com estudantes e professores na busca por uma solução para o prolongado impasse em torno de uma reforma do sistema educacional do país sul-americano, mas não parecia inclinado a ceder às exigências dos descontentes.

Agência Estado

10 de agosto de 2011 | 19h05

Andrés Chadwick, porta-voz do governo chileno, disse hoje à Rádio Cooperativa que o Palácio de la Moneda está disposto a buscar uma solução para a paralisação dos estudantes, que já dura mais de dois meses. Ele descartou, no entanto, que o governo revise sua proposta, considerada insuficiente pelos estudantes.

A declaração oficial ocorre no dia em que vence o prazo dado pelos alunos para que o governo apresentasse uma resposta concerta a suas demandas.

Na semana passada, o presidente do Chile, Sebastián Piñera, apresentou uma proposta contendo 21 pontos para reformar o sistema educacional. Entre outras coisas, ele propôs elevar gradualmente a verba para a educação e transferir a responsabilidade pelo ensino para o governo federal.

A proposta de Piñera, porém, não abrange uma exigência fundamental do estudantes: obrigar as universidades particulares a reinvestirem uma parcela maior de suas receitas, uma vez que a legislação chilena as considera instituições sem fins lucrativos.

Além de não satisfazer às exigências, a proposta de Piñera praticamente exclui do debate os estudantes e os professores, limitando as discussões ao Legislativo e ao Executivo.

Ao longo dos últimos dois meses, a paralisação de estudantes e professores para pressionar por reformas levou multidões às ruas. Na terça-feira, mais de 100.000 pessoas protestaram nas ruas de Santiago e diversas outras cidades.

As manifestações de ontem começaram pacificamente, mas houve choques entre policiais e manifestantes. De acordo com o Ministério de Interior do Chile, 78 pessoas ficaram feridas e 399 foram detidas em meio aos confrontos.

Hoje, líderes estudantis afirmaram que continuarão protestando e prometeram levar adiante uma campanha para que suas exigências sejam levadas a consulta popular. As informações são da Associated Press.

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