Governo chileno se nega a romper relações com Cuba

O governo chileno rejeitou nesta segunda-feira uma exortação da direitista União Democrata Independente (UDI) para que suspenda suas relações diplomáticas com Cuba. A opção de suspender os vínculos diplomáticos com Havana foi imediatamente rejeitada pelo ministro do Governo, Heraldo Muñoz. A proposta de ruptura com Cuba apresentada pela oposição direitista ocorre no exato momento em que o líder da UDI e atual prefeito de Santiago, Joaquín Lavín, inicia uma visita a Havana para inteirar-se dos sistemas de saúde pública cubanos e tentar entrevistar-se com o presidente Fidel Castro. A sugestão de suspender relações com Cuba se deve à prisão no Brasil do militante esquerdista chileno Mauricio Hernández Norambuena, acusado pelo seqüestro do empresário Washington Olivetto, que fugiu seis anos atrás de uma prisão chilena e, desde então, teria se refugiado em Cuba.Hernández fugiu da penitenciária em 1996, enquanto cumpria uma condenação à prisão perpétua pelo assassinato do senador chileno e ideólogo da UDI Jaime Guzmán. Ao pedir a suspensão das relações entre Santiago e Havana, o vice-presidente da UDI, senador Andrés Chadwick, declarou aos jornalistas que "durante cinco anos o governo cubano não colaborou com a Justiça chilena, e isso, entre dois países que mantêm relações diplomáticas amistosas, é um fato de suma gravidade". Mas o ministro Muñoz respondeu que, "como governo do Chile, não temos nenhuma prova de que esta pessoa (Hernández) tenha estado em Cuba. E o que o governo cubano nos disse é que, se tivessem estado, sua política seria a da imediata expulsão das pessoas que estivessem interferindo na transição democrática do Chile". Muñoz descartou o rompimento das relações diplomáticas com Cuba "pois (com isto), de um lado, seriam prejudicados os interesses políticos, comerciais e culturais do Chile e, de outro, porque tal medida só é tomada em casos muito graves".

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