Governo chinês admite culpa no caso do leite contaminado

Premiê diz que Pequim é 'parcialmente culpado' por contaminação que matou 4 bebês e deixou 50 mil doentes

Associated Press,

18 de outubro de 2008 | 11h24

Em uma declaração não usual para um líder chinês, o primeiro-ministro Wen Jiabao admitiu neste sábado, 18, que o governo é "parcialmente culpado" pelo escândalo do leite contaminado, que deixou pelo menos quatro bebês mortos. O governo sente "grande pesar" pela crise que deixou mais de 50 mil crianças doentes, disse Wen em entrevista à revista Science.   Veja também: Pais processam empresa por leite contaminado na China   "Apesar dos problemas terem ocorrido na companhia, o governo também tem responsabilidade", declarou o premiê. Em uma versão chinesa da entrevista no Diário do Povo do Partido Comunista, ele disse que o governo foi pouco rigoroso "na supervisão e no manejo". "Tiraremos lições muito valiosas", continuou Wen, que ganhou admiração entre os chineses por suas visitas às zonas rurais do país.   As autoridades haviam culpado os fornecedores de produtos lácteos, dizendo que eles acrescentaram a substância química melamina no leite para burlar os controles de qualidade e fazer o alimento parecer rico em proteína. A substância é usada na produção de plásticos, fertilizantes, tintas e adesivos.   Nesta semana, a China ordenou que todo o leite, líquido ou em pó, produzido antes de 14 de setembro seja retirado das prateleiras para que passe por testes de detecção de melamina. Foi a primeira vez que o governo chinês impõe um recall geral desses produtos desde o início do escândalo do leite contaminado no país, que veio à tona no mês passado.   Foi a última de uma série de medidas de Pequim para enfrentar as dúvidas sobre a qualidade de seus produtos e restaurar a confiança dos consumidores.   A crise levou vários países a restringir ou proibir a venda de produtos lácteos vindos da China. O governo chinês demitiu funcionários envolvidos com a fiscalização, além de fazer repetidas promessas de que os padrões de segurança em relação aos alimentos seriam revistos e melhorados.

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