Governo chinês decide intervir após resgate de 548 escravos

Muitos dos escravos são menores de idade, deficientes mentais ou idosos

Agencia Estado

19 Junho 2007 | 11h05

O total de escravos resgatados em fábricas de tijolos do centro da China nos últimos dias chegou neste sábado, 16, a 548, e o Governo central decidiu intervir no escândalo, iniciando uma investigação na busca de novos casos. As autoridades da província de Henan, onde eram seqüestrados muitos dos escravos, e Shanxi, onde ficam as fábricas, já inspecionaram mais de 2.500 locais. A operação policial mobiliza quase 50 mil agentes. Até o momento foram detidas 158 pessoas por sua relação com as máfias de seqüestro e venda de escravos, especialmente na província de Henan. Em Shanxi, policiais e políticos são acusados de permitir a atividade em troca de subornos. Após 10 dias de crescentes escândalos, o Ministério do Trabalho e Previdência Social anunciou nesta sexta-feira, 15, a criação de uma equipe de investigação nacional. Segundo o vice-ministro Sun Baoshu, a equipe "encontrará a verdade o mais cedo possível e vai resgatar trabalhadores que tenham sido escravizados". Além disso, a partir deste sábado, 16, o Governo oferece uma recompensa de 20 mil iuanes (US$ 2.500) a quem oferecer informações sobre o paradeiro de Heng Tinghan, o capataz da primeira fábrica onde foram encontrados "escravos do tijolo", no fim de maio. Na fábrica trabalhavam 32 pessoas em condições desumanas, alimentadas a pão e água. Um dos escravos morreu espancado pelos guardas quando tentava fugir. O principal líder comunista do povoado onde fica a fábrica, Wang Dongji, está sendo investigado. A instalação era propriedade de seu filho, Wang Bingbing, já detido. Os casos têm comovido a sociedade chinesa. Muitos dos escravos eram menores de idade, deficientes mentais ou idosos, de até 70 anos, e trabalhavam à força. Acredita-se que pelo menos mil crianças trabalham em regime de escravidão. Elas são vendidas por US$ 65 aos donos das fábricas.

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