Governo chinês impõe silêncio a outro dissidente solto

O ativista político chinês Hu Jia deixou ontem a prisão, depois de cumprir a sentença de três anos e meio a que havia sido condenado sob acusação de subversão. Como outros opositores do regime soltos nos últimos meses, ele deverá enfrentar uma série de restrições à sua liberdade de expressão e locomoção. Fora da prisão, ele estará proibido de dar entrevistas ou se manifestar por escrito durante um ano, o que incluiu textos ou posts na internet. A restrição é semelhante à aplicada ao artista plástico Ai Weiwei, solto na semana passada depois de passar quase três meses na prisão.

AE, Agência Estado

27 de junho de 2011 | 07h50

Hu Jia atuava em defesa dos direitos de portadores do vírus HIV, em questões ambientais e a favor de reformas democráticas na China. Em setembro de 2007, 11 meses antes dos Jogos de Pequim, Hu Jia e o advogado Teng Biao divulgaram o manifesto "A China Real e a Olimpíada", no qual criticavam a situação dos direitos humanos no país.

Dias antes de sua prisão, em dezembro de 2007, ele participou por videoconferência de uma audiência do Parlamento Europeu sobre o assunto. "É irônico que uma das pessoas responsáveis por organizar os Jogos Olímpicos seja o chefe do Departamento de Segurança Pública, responsável por inúmeras violações dos direitos humanos. É muito grave que as promessas oficiais não estejam sendo cumpridas antes dos Jogos", declarou então o ativista.

O ativista foi libertado na madrugada de ontem. "Em uma noite sem sono, Hu Jia voltou para casa às 2h30. Em paz. Muito feliz. Precisa de algum tempo para se recuperar", escreveu sua mulher, Zeng Jinyan, em um post no Twitter, acessível na China apenas com o uso de ferramentas que burlam a censura. A soltura de Hu Jia era esperada - já que ele cumpriu sua pena -_e coincidiu com a visita de quatro dias que o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, realiza à Europa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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