Governo chinês restringe exibição do filme Avatar

Autoridades chinesas determinaram hoje a suspensão de exibições do filme Avatar em várias salas de cinema do país, segundo informou reportagem do "Wall Street Journal". A restrição das exibições teria sido motivada pela estreia de uma biografia do filósofo Confúcio, prevista para quinta-feira, e que tem patrocínio do governo chinês, disseram funcionários da indústria cinematográfica.

AE, Agencia Estado

19 de janeiro de 2010 | 16h35

Um funcionário da China Stellar Film Co. disse que a distribuidora recebeu hoje um "comunicado urgente" da China Film Group, empresa estatal que distribui filmes no país. O comunicado ordenava à China Stellar que pare de exibir versões do Avatar em duas dimensões (2D).

O funcionário disse que cópias em três dimensões (3D) e versões da IMAX Corp. do filme ainda serão exibidas. A China tem aproximadamente 800 telas IMAX e 3D, em comparação a 4.500 telas normais em 2D. O China Film Group recusou-se a fazer comentários.

Avatar na China

O filme Avatar vendeu cerca de US$ 44 milhões em ingressos na semana após a estreia em 4 de janeiro, na China. A reportagem afirma que a soma total quase dobrou para US$ 81 milhões até anteontem. Isso tornaria o filme o mais vendido na história cinematográfica chinesa.

Avatar foi financiado e produzido pela 20th Century Fox, uma unidade da News Corporation, que também publica o "Wall Street" Journal e a "Dow Jones".

A China limita de maneira abrangente a exibição de filmes estrangeiros e apenas permite a exibição de 20 por ano. Os filmes estrangeiros também não podem ser exibidos durante os feriados nacionais mais importantes, como o Ano Novo chinês, que está próximo, quando as salas são muito procuradas.

Por vezes, as autoridades suspendem a exibição dos filmes quando julgam que a fita já faturou o suficiente ou quando os temas dos filmes conflitam com filmes patrocinados pelo governo.

Avatar pelo mundo

Alguns analistas também sugeriram que Avatar pode ter sido restrito na China por razões políticas. O filme virou uma espécie de teste de interpretação para as plateias ao redor do mundo.

Os israelenses, por exemplo, viram a produção como uma alegoria da fundação do seu país, e os manifestantes anti globalização, como uma parábola da luta contra as corporações.

Alguns chineses viram o filme como um símbolo do quanto os incorporadores imobiliários e construtores são vorazes ao expulsar pessoas comuns das suas casas.

As informações são da Dow Jones.

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