Governo colombiano aceita proposta de cessar-fogo do ELN

O governo colombiano aceitou a proposta do segundo maior grupo rebelde do país, o Exército de Libertação Nacional (ELN), de um cessar-fogo temporário. A oferta foi feita na segunda-feira, 16, pelo representante do ELN nas negociações, comandante Pablo Beltrán, em um encontro na capital de Cuba, Havana."O presidente (Álvaro Uribe) me pediu que diga ao ELN que aceita sua proposta de que o cessar-fogo seja experimental e temporário", disse o comissário para Paz da Presidência da Colômbia, Luis Carlos Restrepo.O representante do governo colombiano afirmou, porém, que nenhum acordo seria implementado até que os rebeldes encerrem sua campanha.Segundo Restrepo, devem ser "suspensas as ações violentas do ELN, suspensos os seqüestros e libertados os seqüestrados" antes que o governo cesse "todo tipo de ação militar ofensiva".Restrepo também disse que o governo iria garantir que os rebeldes não sejam capturados enquanto o cessar-fogo estiver em vigor.O representante dos rebeldes disse que o cessar-fogo temporário criaria uma atmosfera viável para negociações de paz."A decisão sobre o cessar das hostilidades com reciprocidade governamental abre imediatamente as possibilidades para que o ELN adiante algumas ações no cenário nacional, para que seus dirigentes exponham suas idéias", disse Beltrán.TerritórioRestrepo, no entanto, afirmou que esse cessar-fogo deveria "ser verificável" e que "deve haver uma definição territorial". Mas Restrepo disse também que o governo é "flexível a respeito" e pode "discutir formas".O aspecto da definição territorial é questionado pela guerrilha, que teme perder mobilidade e se transformar em um alvo muito mais fácil de ser atingido pelo Exército colombiano.A divergência é que o governo quer que o cessar-fogo seja "verificável", concentrando todos os guerrilheiros em um ponto geográfico. Mas Beltrán disse que, para o ELN, aceitar isso seria um "suicídio".Outra divergência é que, enquanto para o ELN o cessar de hostilidades deve ser recíproco e simultâneo, para o governo o grupo guerrilheiro deve dar os primeiros passos.O ELN mantém aproximadamente 500 pessoas seqüestradas. Os resgates pedidos em troca da libertação de reféns são usados para financiar as atividades do grupo, na ativa desde a década de 1960 e composto por cerca de 5 mil combatentes armados.As negociações de paz entre o ELN e o governo colombiano, com a participação da sociedade civil e de representantes internacionais, foram iniciadas há 16 meses e, até agora, não tiveram grandes resultados.Segundo o correspondente da BBC Mundo Fernando Ravsberg, esse cessar-fogo, ainda que temporário e experimental, é o primeiro avanço que ambas as partes podem apresentar à opinião pública colombiana como um resultado positivo das negociações.

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