EFE/MAURICIO DUEÑAS CASTAÑEDA
EFE/MAURICIO DUEÑAS CASTAÑEDA

Governo colombiano afirma que novo acordo com Farc é definitivo

Chefe negociador Humberto de la Calle disse que nova proposta ‘abrange mais de 80% das inquietações dos que votaram pelo ‘não’’ no plebiscito de outubro

O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2016 | 14h41

BOGOTÁ - O novo acordo de paz assinado no sábado pelo governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) é definitivo e resta definir somente a maneira como será referendado antes de sua implementação, disse nesta terça-feira, 15, o chefe negociador oficial, Humberto de la Calle.

"Este é o acordo final, realmente o que se segue é uma discussão sobre como referendá-lo", declarou De la Calle em entrevista coletiva na Casa de Nariño, sede do governo em Bogotá, onde explicou detalhes do pacto.

Segundo ele, o que foi anunciado no sábado em Havana é "um acordo realmente novo, autenticamente novo, que abrange mais de 80% das inquietações dos que votaram pelo 'não'" no plebiscito do dia 2 de outubro.

Os promotores do "não", entre eles o ex-presidente Álvaro Uribe, disseram desde que se anunciou o novo acordo que o governo não deveria considerá-lo como definitivo, mas esperar que esse setor da sociedade e, especialmente organizações de vítimas, o lesse e desse seu aval ao texto.

"Este é o acordo final, este é o acordo definitivo. Realmente não há espaço para uma nova negociação", reforçou De la Calle, que acrescentou que o texto é produto de longas jornadas de "trabalho minucioso com as Farc" em Cuba.

Por sua parte, o Alto Comissariado para a Paz, Sergio Jaramillo - que também participou da entrevista coletiva, junto a De la Calle, os negociadores Frank Pearl e Roy Barreras, e o ministro do Interior, Juan Fernando Cristo -, destacou que "as Farc trabalharam com muita maturidade, com muito realismo político, ouvindo os colombianos".

As Farc "aceitaram uma quantidade de coisas que não é fácil para uma guerrilha aceitar", como reduzir várias das concessões que haviam obtido no acordo inicial assinado no dia 26 de setembro em Cartagena, acrescentou.

Em relação ao mecanismo para referendar o acordo, Cristo indicou que "tem de ser no menor tempo possível", para o que o presidente Juan Manuel Santos possa se reunir a partir desta terça-feira com as bancadas dos partidos políticos. O que se procura é definir se a responsabilidade caberá ao Congresso ou se um novo plebiscito será convocado.

Entre as mudanças no novo acordo, De la Calle ressaltou o compromisso das Farc de apresentar em um prazo de 180 dias o inventário de seus bens para reparar às vítimas do conflito, e uma reivindicação da sociedade colombiana. / EFE

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