Governo colombiano e ELN iniciam negociações de paz

O governo colombiano e o Exército de Libertação Nacional (ELN), a segunda guerrilha mais importante do país, atrás apenas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), anunciaram nesta terça-feira que chegaram a um acordo para dar início a um processo de paz.

Agência Estado

10 de junho de 2014 | 15h14

Em comunicado conjunto publicado na página oficial da presidência, as duas partes informam que "iniciamos uma fase exploratória de conversações em janeiro de 2014, logo após uma série de contatos e reuniões que aconteceram desde o ano de 2013".

Segundo o comunicado, "o objetivo desta fase exploratória é chegar a um acordo para uma agenda e ao desenho do processo que torne viável o fim do conflito e a construção de uma paz estável e duradoura para a Colômbia".

O documento diz também que "as delegações concordaram que a agenda de conversações incluirá os pontos de vista das vítimas e a participação da sociedade. Sobre demais temas ainda não chegamos a um acordo".

De acordo com o comunicado, as partes "expressam à Colômbia e à comunidade internacional a vontade recíproca de continuar com a fase exploratória de forma que permita se chegar a um acordo para uma agenda e o estabelecimento de uma mesa de conversações para chegar à assinatura de um acordo final".

Uma autoridade, que pediu para não ser identificada porque não tem autorização para falar com meios de comunicação, disse à Associated Press que governo e ELN têm realizado suas conversas no Brasil e no Equador.

O anúncio foi feito a cinco dia do segundo turno da eleição presidencial colombiana. Segundo pesquisas de opinião, o presidente Juan Manuel Santos pode ser derrotado pelo opositor Oscar Iván Zuluaga.

Trata-se "de uma excelente notícia. Havíamos pedido a conclusão do processo de Havana com a inclusão de outra mesa semelhante com a ELN e isso hoje se tornou realidade", declarou, por telefone, o congressista de esquerda Iván Cepeda, grande entusiasta do processo de paz com as guerrilhas.

Para Cepeda, o anúncio "é a possibilidade de a Colômbia chegar a uma paz integral com as duas guerrilhas históricas com as quais há um enfrentamento armado há décadas".

A ELN, que foi fundada há quase 50 anos no departamento de Santander, noroeste do país, tem atualmente cerca de 2 mil combatentes em suas fileiras. Seu comandante é Nicolás Rodríguez Bautista, mais conhecido como "Gabino".

Governos anteriores tentaram, sem sucesso, selar a paz com a guerrilha, nascida em 1965. Desde o final de 2012, o governo de Santos e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) mantém um processo de paz com o objetivo de encerrar os 50 anos de confrontos entre as partes. Fonte: Associated Press.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.