EFE/CRISTIAN HERNÁNDEZ
EFE/CRISTIAN HERNÁNDEZ

Governo colombiano e ELN iniciarão negociações de paz em 27 outubro

Delegações anunciam que mesa pública de conversações será instalada em Quito; presidente Juan Manuel Santos afirmou que avanço de entendimento com guerrilha fará paz no país 'ser completa'

O Estado de S. Paulo

11 de outubro de 2016 | 08h43

BOGOTÁ - O governo colombiano e a guerrilha do ELN iniciarão negociações de paz no próximo 27 de outubro, em Quito, para por fim a um conflito armado de mais de meio século, anunciaram as partes na noite de segunda-feira, 10, em Caracas.

"As delegações do governo nacional e do ELN acertaram (...) instalar no dia 27 de outubro, em Quito, Equador, a mesa pública de conversações", revela a declaração lida na Casa Amarela, sede da chancelaria venezuelana. Antes do início da etapa de negociações, o Exército de Libertação Nacional (ELN) - segunda guerrilha colombiana depois das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) - comprometeu-se a libertar dois reféns.

"Além disso, cada uma das partes fará, a partir da data, outras ações e dinâmicas humanitárias para criar um ambiente favorável à paz", acrescentou o comunicado assinado por quatro delegados do governo e cinco do ELN.

Em Bogotá, o presidente colombiano, ganhador do Nobel da Paz este ano, Juan Manuel Santos, disse que com a instalação de negociações com o ELN a paz no país "será completa". "Estamos buscando há cerca de três anos uma negociação com a guerrilha do ELN para acabar também com o conflito armado com eles (...) Agora que avançamos com o ELN será completa. Será uma paz completa!" - afirmou o presidente em uma declaração à TV da Casa de Nariño, sede do Executivo.

Horas antes do anúncio das negociações, o ELN entregou ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) um homem identificado como Nelson Alarcón, que mantinha sequestrado há três meses. A liberação ocorreu em uma zona rural de Fortul, no Departamento (Estado) de Arauca, na fronteira leste com a Venezuela. Ele foi o terceiro civil libertado pelo ELN nas últimas duas semanas.

Pressa e sinceridade. Em relação aos opositores do acordo de paz com a guerrilha das Farc, rejeitado em referendo, Santos fez um apelo "para que este diálogo seja frutífero" e destacou três pontos. "Primeiro, que não se apresentem propostas impossíveis. Segundo, que nos ajudem a avançar com sentido de urgência, sem dilações. Terceiro, o diálogo deve se estabelecer partindo de duas bases fundamentais: realismo e verdade".

Representantes do governo e da oposição partidária do "Não" ao acordo com as Farc, liderados principalmente pelo ex-presidente Álvaro Uribe, prosseguiram na segunda-feira com as conversações visando obter consensos que permitam superar um conflito armado de 52 anos.

"As propostas surgidas deste diálogo serão analisadas e discutidas entre o governo nacional e as Farc", disse Santos, que na sexta-feira recebeu o prêmio Nobel da Paz por seus esforços para acabar com o conflito interno.

Santos afirmou que o diálogo com a oposição é "uma grande oportunidade para se obter uma paz estável, duradoura, mais ampla e mais profunda". O presidente destacou que nas reuniões com a oposição, que começaram na semana passada, "foi possível constatar que há temas e objeções onde no lugar das divergências existem apenas mal-entendidos".

"Podemos esclarecer muitos destes pontos (...) mas temos consciência de que é preciso trabalhar com urgência, com rapidez, porque o maior inimigo que temos agora é o tempo".

Santos lembrou o "compromisso" do governo e das Farc em manter o cessar-fogo vigente desde o dia 29 de agosto, obtido durante as negociações de paz. "Desde este dia (29 de agosto) não houve uma só morte, um só ferido, um só ataque por conta do conflito com as Farc. Temos que mantê-lo". / AFP e EFE

Veja abaixo: Colômbia e ELN vão iniciar negociações de paz

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