AP Photo/Fernando Vergara
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Colômbia e Farc assinam novo acordo de paz e pedem rapidez ao Congresso

Texto revisado com propostas da oposição, após fracasso do pacto original no plebiscito de outubro, será discutido no Legislativo na próxima semana; partido de Álvaro Uribe continua contrário ao modo de validação e pede que pessoas saiam às ruas

O Estado de S. Paulo

24 de novembro de 2016 | 08h32
Atualizado 24 de novembro de 2016 | 21h10

BOGOTÁ - O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e o líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Rodrigo Londoño Echeverri, conhecido como Timochenko, assinaram nesta quinta-feira, 24, um acordo de paz revisado, passados quase dois meses do plebiscito que rejeitou o pacto original. Na próxima semana, o novo texto será avaliado pelo Congresso.

“Hoje assinamos aqui, nesse cenário histórico, diante do país e do mundo, um novo acordo de paz com as Farc. O acordo definitivo, o acordo do teatro Colón”, afirmou Santos no início de seu discurso. Em cerimônia realizada no Teatro Colón de Bogotá, mais sóbria do que na assinatura do primeiro acordo, o governo e a principal guerrilha do país deram mais um passo para tentar encerrar o conflito que, em 52 anos, deixou mais de 260 mil mortos e 6,9 milhões de deslocados. Após a assinatura do pacto, Santos e Timochenko apertaram as mãos e fizeram discursos ressaltando o tom “inclusivo” do texto. 

Para o governo e as Farc, o acordo final – que contém cerca de 190 modificações – aborda a maioria dos pedidos da oposição, mas o partido Centro Democrático, liderado pelo senador e ex-presidente Álvaro Uribe, afirma que as mudanças necessárias, como a não elegibilidade política de responsáveis por crimes atrozes, continuam de fora do texto final.

Na próxima semana, o novo pacto será avaliado pelo Congresso para ser ratificado ou rejeitado. “O novo acordo que assinamos hoje será discutido no Congresso, para que sejam os representantes eleitos pelo povo os que referendem e implementem o acordo, sob o controle da Corte Constitucional”, disse o presidente colombiano.

Prazos. A cerimônia de hoje marcou uma contagem de seis meses para que os 7 mil integrantes das Farc abandonem as armas e formem um partido político, o que também foi ressaltado por Santos. “As Farc como um partido político, sem armas, poderão apresentar e promover seu projeto. Serão os colombianos, por meio do voto, que o apoiarão ou rechaçarão. Esse é o objetivo de todo processo de paz. Que aqueles que estavam empunhando armas as abandonem, reconheçam e respeitem as instituições e as leis, e possam participar da vida política na legalidade.”

O líder da guerrilha iniciou seu pronunciamento falando sobre o fim do uso de armas pelo grupo. “Que a palavra seja a única arma dos colombianos”. Timochenko lembrou das manifestações realizadas na Colômbia desde o dia 2 de outubro pedindo que as duas partes não parassem a negociação de paz e dedicou o acordo final aos grupos envolvidos no diálogo.

Após o resultado do ‘não’ ao pacto original no plebiscito, o governo e as Farc voltaram a se reunir em Havana, Cuba, para renegociar pontos do acordo. “Durante mais de 40 dias, em jornadas intensas, nos dedicamos à tarefa de recolher, ordenar e atender propostas de ajustes”, afirmou Santos. 

A renegociação também foi abordada pelo líder guerrilheiro no discurso de ontem. “Para chegar a esse acordo vivemos o desencanto do dia 2 de outubro e o histórico esforço em conseguir o maior consenso da nação. Nessa última etapa, enriquecemos e modificamos o acordo de paz anterior.”

Cerimônia. O tamanho do pequeno e clássico Teatro Colón, recentemente reformado e com capacidade para 800 pessoas, marcou o tom discreto da cerimônia. Diferente da assinatura do acordo original – que ocorreu no dia 26 de setembro em Cartagena, na presença de 2,5 mil convidados, entre eles 15 chefes de Estado –, desta vez, a cerimônia foi exibida para a população em telões na praça Bolívar, onde estão a Casa de Nariño, a sede do Congresso e o Palácio de Justiça. 

Entre os convidados para a cerimônia de ontem, além de vítimas do conflito, estavam 58 embaixadores, 32 representantes de organismos internacionais, 60 magistrados, 102 senadores e 166 deputados. Os parlamentares do Centro Democrático disseram que não estariam presentes por discordarem.

Rumo. O senador Uribe chegou a solicitar uma reunião com as Farc antes da assinatura do acordo, que de imediato descartaram o encontro por considerar que o ex-presidente queria “adiar a paz”. O ex-presidente convocou a população a realizar protestos nas ruas. 

O partido analisa mais de uma opção para fazer oposição ao acordo – o Centro Democrático buscará medidas judiciais enquanto tenta convencer o Congresso a rejeitar o texto. / AFP, AP e REUTERS

 

 

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