Ernesto Mastrascusa / EFE
Ernesto Mastrascusa / EFE

Colômbia refaz acordo de paz com Farc

O novo documento foi assinado pelos chefes negociadores do governo e da guerrilha, que lideraram nove dias de intensas reuniões na capital cubana para fechar um novo consenso

O Estado de S. Paulo

12 de novembro de 2016 | 22h05

HAVANA - Os rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o governo colombiano assinaram neste sábado, 12, em Havana, um novo acordo de paz, após a vitória do “não” no referendo sobre uma versão anterior. O anúncio de outro pacto para acabar com 52 anos de conflito armado no país foi feito sem que se revelasse quais pontos serão alterados. Não foi informado se o texto passará por nova consulta popular. 

“Alcançamos um novo acordo final para o fim do conflito armado, que inclui mudanças, precisões e contribuições dos mais diversos setores da sociedade e revisamos um a um”, segundo o comunicado conjunto lido por diplomatas dos países fiadores do processo de paz – Cuba e Noruega. 

O novo documento foi firmado pelos chefes negociadores do governo, Humberto de la Calle, e da guerrilha, Ivan Márquez (conhecido como Luciano Arango), que lideraram nove dias de reuniões na capital cubana.

Horas antes do anúncio, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, convocou uma reunião urgente com o ex-presidente Álvaro Uribe, líder do opositor Centro Democrático, que comandou a campanha do “não” no referendo sobre o acordo de paz inicial, em 3 de outubro.

Ao deixar o encontro, Uribe declarou ter pedido a Santos que o pacto de hoje não tenha alcance definitivo. O ex-presidente defendeu que o texto seja apresentado aos representantes do “não” e das vítimas “para que o estudem e exponham qualquer observação ou pedido de modificação”. 

Com relação ao primeiro acordo, Uribe criticava o ponto da Justiça transicional, que prevê a criação de um mecanismo de jurisdição especial para a paz que seria aplicado aos responsáveis pelo conflito armado, e um projeto de lei de anistia para os membros das Farc que não tenham cometido crimes graves.

O ex-presidente também enfatizou que a “elegibilidade política dos responsáveis por crimes atrozes criava um grave precedente” no país. Para ele, soldados e policiais que estão presos acusados de crimes devem ser postos em liberdade e “ser objeto de revisão de sentenças que lhes permita lutar pela recuperação da honra”.

Em Havana, hoje, o negociador do governo colombiano admitiu que o novo acordo é melhor que o assinado em 26 de setembro porque “resolve muitas críticas e observações”, sem detalhá-las. Márquez disse que foram semanas duras de negociação, com o “exercício humilde de escutar”. 

Remodelações e novos elementos do documento poderão ser consultados no site das negociações, embora o acordo completo deva levar alguns dias para estar disponível. / AFP e EFE ​

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