Governo colombiano recusa trocar seqüestrada por presos

Os bombardeios das forças governamentais colombianas contra a zona ocupada até a semana passada pela guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) foram suspensos nesta segunda-feira para facilitar as buscas à candidata presidencial Ingrid Betancourt, seqüestrada no último sábado pelos rebeldes.A agência de notícias do Exército, que anunciou a suspensão dos ataques aéreos, ressaltou, no entanto, que as operações por terra prosseguiriam, com o objetivo de retomar o controle pleno das cidades de La Uribe, Vista Hermosa, Mesetas e La Macarena. SabotagemTambém a guerrilha mantém sua ofensiva com sabotagens a pontes, torres de energia e comunicações e bloqueios de estradas, isolando amplas regiões do país. Segundo informações das autoridades locais, os guerrilheiros abandonaram os centros urbanos dessas quatro localidades, além da maior cidade da ex-zona desmilitarizada, San Vicente del Caguán - a primeira a ser reocupada pelo Exército e que vivia nesta segunda momentos dramáticos ao prolongar-se a crise causada pela destruição pelos rebeldes de torres de energia elétrica e comunicações. Sem pistasAté o início da noite desta segunda, o governo colombiano não tinha ainda nenhuma pista sobre o paradeiro de Ingrid e de sua chefe de campanha, Clara Rojas, também capturada pelos seqüestradores. O veículo no qual viajavam as duas, o fotógrafo francês Alain Keler e outros dois assessores de campanha, Adair Lamprea e Mauricio Mesa, foi interceptado pelos seqüestradores num bloqueio na estrada que liga Florencia, capital do departamento (província) de Caquetá, a San Vicente del Caguán. Keler, Lamprea e Mesa foram liberados logo depois.As autoridades de segurança tinham recomendado a Ingrid que não viajasse para a região conhecida como "Farclândia". Mas, ignorando as advertências, a candidata pretendia ser a primeira a fazer um comício em San Vicente. No domingo, por meio de um comunicado firmado por Joaquín Gómez - um dos negociadores das Farc no fracassado processo de paz com o governo -, a guerrilha assumiu a autoria do seqüestro.?Chantagens?O governo colombiano analisava nesta segunda a autenticidade do comunicado, no qual as Farc informavam ter seqüestrado Ingrid com o objetivo de incluí-la numa lista de reféns que poderiam ser trocados por guerrilheiros presos.O ministro do Interior colombiano, Armando Estrada, assegurou, no entanto, que o governo não "cederá diante de chantagens" e não aceitará nenhum acordo que envolva a troca de prisioneiros por reféns das Farc. Segundo o ministro, o seqüestro da candidata não deve causar alterações no calendário eleitoral colombiano, que prevê eleições parlamentares em 10 de março, e o primeiro turno da votação presidencial em 26 de maio.Oxigênio VerdeIngrid, ex-senadora, de 41 anos, fundou o partido Oxigênio Verde depois de romper com o Partido Liberal. As últimas pesquisas indicaram que ela tinha menos de 1% das intenções de voto. O governo do presidente colombiano, Andrés Pastrana, rompeu na semana passada o processo de paz que mantinha com as Farc há três anos por causa do seqüestro de outro político do país, o senador liberal Jorge Eduardo Gechen Turbay, depois do desvio de rota do avião de passageiros em que ele viajava. Como conseqüência do fim das negociações, Pastrana ordenou a retomada da área de 42 mil quilômetros quadrados que tinha concedido às Farc em 1998 para servir de sede para o diálogo.Com a ofensiva do Exército para recuperar a área, os rebeldes abandonaram seu antigo reduto praticamente sem resistência, fugindo para as selvas das proximidades. Batalhões e células de guerrilha urbana das Farc, no entanto, mantêm uma campanha de atentados a torres de eletricidade, pontes e aquedutos em todo o país.Em Medellín, as autoridades anunciaram a prisão de 42 membros de um comando urbano das Farc supostamente envolvido nos ataques à infra-estrutura da região.

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