Reprodução / Facebook
Reprodução / Facebook

Governo condena libertação de assassino de estudante brasileira na Nicarágua

Segundo o Itamaraty, a anistia do homem que matou a médica Raynéia Gabrielle Lima comprova o padrão de sistemática violação das garantias individuais e de direitos fundamentais naquele país

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2019 | 21h58

BRASÍLIA - O Brasil condenou nesta quinta-feira a libertação na Nicarágua do assassino da estudante brasileira de medicina Raynéia Gabrielle Lima, em 2018, acrescentando que a decisão demonstra "a deterioração das instituições" do país centro-americano.

"O governo brasileiro condena e deplora, com a maior veemência, a decisão da justiça nicaraguense de anistiar e libertar o autor confesso, condenado a 15 anos de detenção, do assassinato da médica brasileira Raynéia Gabrielle Lima, ocorrido em 23 de julho em Managua", segundo comunicado do Itamaraty.

"Para o governo brasileiro, essa medida demonstra a deterioração das instituições na Nicarágua e comprova padrão de sistemática violação das garantias individuais e de direitos fundamentais naquele país", acrescentou a chancelaria do Brasil.

Raynéia, de 32 anos, residia havia seis anos no Nicarágua, onde cursava o último ano de medicina na Universidade Americana (UAM, privada). 

Quando saía de um plantão, o veículo em que estava foi alvo de tiros e ela acabou sendo atingida. De acordo com testemunhas, os disparos partiram de um grupo de paramilitares, num período de violenta repressão aos protestos contra o presidente Daniel Ortega.

Quatro dias após a morte, a polícia nicaraguense informou a captura de Pierson Gutiérrez Solís, de 42 anos, que confessou ser o autor dos tiros. Gutiérrez Solís foi condenado em dezembro a 15 anos de prisão, mas a justiça local ordenou que ele fosse libertado na terça-feira, em aplicação de uma lei de anistia promulgada neste mês.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) afirmou no Twitter que "graves violações de direitos humanos não podem ser submetidas a um procedimento de anistia".

E o diretor da CIDH, Paulo Abrão, considerou a libertação de Gutiérrez Solis como "um caso explícito de contradição do governo", que sempre argumentou que o assassinato da brasileira "não estava relacionado ao contexto dos protestos, que é o objeto da Lei de Anistia ". / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.