Governo confirma execução de colaboradores de Saddam

O meio-irmão de Saddam Hussein, Barzan Ibrahim, e o ex-diretor da Corte Revolucionária do Iraque, Awad Hamed al-Bandar, foram enforcados nesta segunda-feira em Bagdá, pouco mais de duas semanas após a polêmica execução do ex-ditador, que causou reações pelo mundo todo.Ao confirmar a informação, o porta-voz do governo iraquiano, Ali al-Dabbagh, explicou que, no momento da execução, a cabeça de Ibrahim foi totalmente separada do corpo. De acordo com ele, esse é um incidente que raramente ocorre.A execução dos colaboradores de Saddam aconteceu às 03 horas (22 horas de domingo em Brasília). Assim como o ex-ditador, ambos foram condenados pelo massacre de 148 xiitas, durante uma investigação sobre uma tentativa de assassinato contra o ex-líder no povoado de Dujail, ao norte de Bagdá.Segundo al-Dabbagh, estavam presentes na execução apenas um juiz, um fiscal e um médico. Foi pedido a eles que "respeitassem as regras da aplicação da pena e a disciplina". O porta-voz informou que todos se comprometeram a não violar a lei e que, por esse motivo, a execução foi consumada "sem insultos aos condenados".Durante a execução de Saddam, imagens foram gravadas e divulgadas clandestinamente por meio de um telefone celular. Nelas, foi possível assistir ao ex-ditador sendo insultado por alguns dos presentes pouco antes de morrer.O enforcamento de Ibrahim e al-Bandar aconteceu mesmo depois de a comunidade internacional ter pedido a anulação ou o adiamento da aplicação da pena. Na semana passada, o presidente iraquiano, Jalal Talabani - que se encontra fora do Iraque, em visita oficial a Damasco -, havia considerado a possibilidade de postergar as execuções.Al-Dabbagh disse que os familiares dos executados serão informados em breve para que possam retirar os corpos de Ibrahim e al-Bandar do local em que ambos foram enforcados.ProtestoO meio-irmão de Saddam protestou momentos antes de ser enforcado na madrugada desta segunda-feira. De acordo com o procurador-geral, Jaafar al-Musawi, Ibrahim teria dito que não teve chances de se defender das acusações.Em entrevista à rádio iraquiana Al Ahd, al-Musawi disse que, antes da execução, Ibrahim alegou também que não deixou nenhum testamento. "Não tenho nada que legar a meus herdeiros", afirmou o meio-irmão do ex-ditador iraquiano.O procurador-geral disse ainda que ficou surpreso ao ver que a cabeça de Ibrahim se desprendeu completamente do corpo no momento do enforcamento e disse que solicitou aos responsáveis que investiguem o ocorrido.Este texto foi alterado às 08h28 para acréscimo de informações

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