Governo convoca militantes e faz advertência

Líderes chavistas acusam oposição de organizar greve geral e prometem reunir multidão na frente do palácio quinta-feira

ROBERTO LAMEIRINHAS , ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2013 | 02h02

O governo chavista advertiu ontem a oposição que "o povo está pronto para responder às tentativas de golpe contra a Constituição". Em reação ao chamado de opositores a uma greve geral - que estaria circulando nas redes sociais na internet - o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, convocou os militantes para uma grande concentração na frente da sede do governo, para quinta-feira.

Assessores da opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) negaram que estejam convocando uma paralisação. "Nada temos a ver com isso", declarou ao Estado a responsável pela comunicação da MUD, Daniela Romero. "Alguém postou algo no Twitter e eles (os chavistas) estão usando isso como pretexto para fazer ameaças."

O dia 10 marca, segundo a Constituição, o fim do atual mandato de Chávez, que se submeteu à quarta cirurgia em dezembro, em Cuba, para tratar-se de um câncer pélvico. Ontem, o ministro de Comunicações, Ernesto Villegas, disse que Chávez apresenta uma "situação estacionária" com relação à insuficiência respiratória, mas assimila bem o tratamento.

Os chavistas argumentam que a ausência de Chávez não pode ser considerada porque ele está licenciado pela Assembleia para tratamento de saúde, de acordo com o Artigo 234 da Constituição. E teria direito ainda a prorrogar essa licença por outros 90 dias. Eles entendem também que Chávez não está obrigado a se apresentar para a posse, como prevê o Artigo 231. A Sala Constitucional do Tribunal Supremo de Justiça, dócil ao chavismo, deve se reunir para dar aval à tese do governo.

Constitucionalistas ligados à oposição, porém, alegam que os chavistas não podem ignorar a nova posse, sob pena de não ter o poder legitimado. Em caso de ausência do presidente eleito, diz a Carta, o poder deveria ser entregue ao presidente da Assembleia - no caso, Cabello -, que seria encarregado de convocar novas eleições no prazo de 30 dias.

"Não se equivoquem, senhores. A Constituição será respeitada e a vontade popular, expressa na eleição de 7 de outubro, será respeitada. Não há outro presidente que não seja Chávez."

"Agora, vêm com as ameaças de golpe, como fizeram em 11 de abril de 2002 e como fizeram na greve petroleira (que reduziu drasticamente a receita do petróleo por três meses) também de 2002. Agora voltam a falar em sabotagem, em 'paro cívico'. Quero convocar todos os chavistas para a concentração na frente do Palácio de Miraflores em 10 de janeiro", prosseguiu Cabello. "Que não pensem em converter o 10 de janeiro em um 11 de abril (em referência à tentativa fracassada de golpe que retirou Chávez do poder por menos de 24 horas). Se fizerem isso, terão um 10 de janeiro inesquecível."

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