Governo croata discute indiciamentos da ONU

O governo da Croácia foi reunido em uma sessão de emergência neste sábado para discutir as formas de lidar com os primeiros indiciamentos do tribunal de crimes de guerra da Organização das Nações Unidas (ONU) contra seus cidadãos por atrocidades cometidas contra os sérvios, no maior desafio em um ano e meio no poder. Há poucas alternativas ao primeiro-ministro Ivica Racan a não ser obedecer aos indiciamentos, que pedem a extradição dos suspeitos ao tribunal de Haia, Holanda. Em caso contrário, o país pode caminhar rumo ao isolamento internacional e até mesmo sofrer sanções. Isto deixa seu governo numa posição delicada, pois muito provavelmente enfrentará protestos de nacionalistas e outros croatas que veneram os líderes militares croatas por estes terem conseguido defender o país dos ataques sérvios em 1991. A oposição também poderia vir dos setores mais conservadores da sociedade e até mesmo de dentro da conturbada coalizão de cinco partidos que mantêm Racan no governo. Em busca de um consenso nacional sobre essa questão sensível, Racan conversou hoje com os líderes dos cinco partidos aliados. A reunião foi suspensa uma hora após o início sem nenhum acordo e era incerto se seria retomada, informou a rádio estatal croata, citando fontes do governo. Se as diferenças não forem superadas, a coalizão poderá ser rompida. O presidente Stipe Mesic deveria participar da reunião de gabinete, mas informou mais tarde que não poderia comparecer, colocando ainda mais pressão sobre Racan. Carla del Ponte, promotora-chefe do tribunal da ONU, revelou ontem que sua corte emitiu dois indiciamentos selados contra cidadãos croatas. Ela insiste que a Croácia deve entregar os suspeitos.

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