Governo cubano prende dezenas de dissidentes

Grupos contrários e favoráveis ao regime de Raúl Castro se enfrentaram em uma manifestação organizada pelas Damas de Branco na sexta-feira

HAVANA, / EFE e REUTERS, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2011 | 03h01

Dezenas de dissidentes cubanos foram detidos em Havana e em outros pontos de Cuba entre a noite de sexta-feira e ontem. A maioria das detenções ocorreu na sexta-feira, quando um grupo de partidários do governo também tentou impedir um protesto do grupo Damas de Branco na capital cubana.

De acordo com Berta Soler, porta-voz das Damas de Branco, pelo menos 24 integrantes do grupo foram presas nos últimos dias. Ela afirmou que dois dissidentes que haviam prometido uma manifestação em um parque de Havana para marcar o Dia Internacional dos Direitos Humanos também foram detidos.

Na noite de sexta-feira, as integrantes do Damas de Branco ficaram impedidas de sair da sede da organização por causa de manifestantes pró-governo, que realizavam demonstrações de repúdio ao movimento.

Nos últimos nove dias, cerca de 200 detenções por motivos políticos já aconteceram na ilha, segundo o coordenador da Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional, Elizardo Sanchez. A comissão é um grupo independente de defesa das liberdades civis na ilha. "As autoridades têm utilizado a tática de detenções de curta duração para impedirem protestos", afirmou.

De acordo com a agência de notícias EFE, o acesso à rua onde está localizada a sede das Damas de Branco - antiga residência de Laura Pollán, líder do movimento que morreu em outubro em um hospital de Havana - está interrompido desde quinta-feira.

O grupo foi formado em 2003 por esposas e mães de 75 dissidentes políticos presos em uma ação maciça do regime contra opositores. A onda repressiva daquele ano ficou conhecida como Primavera Negra.

Entre os detidos na sexta-feira, segundo Sanchez, estão Ángel Moya e José Daniel Ferrer Garcia, ex-detentos que faziam parte do grupo de opositores em 2003. Os dois foram libertados há poucos meses, após um processo judicial que se arrastou por oito anos.

Ontem, a blogueira cubana e colunista do Estado Yoani Sánchez anunciou em sua conta do Twitter uma série de detenções de dissidentes.

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