Governo da Argentina licita emissoras de TV em ano de eleições

Estratégia da Casa Rosada é ampliar canais aliados para ter mais influência no pleito de outubro

Marina Guimarães, da Agência Estado

16 de fevereiro de 2011 | 16h27

BUENOS AIRES - De olho nas eleições presidenciais de outubro, o governo da Argentina vai abrir licitação para 12 emissoras de televisão em Buenos Aires e várias outras no interior. A administração federal utiliza a polêmica Lei de Mídia, aprovada no final de 2009, para que as novas emissoras comecem a competir com canais privadors antes de outubro, quando ocorrem as eleições presidenciais no país.

 

A estratégia eleitoral envolvendo emissoras de televisão faz parte da disputa que a Casa Rosada trava, há quase três anos, com a principal holding multimídia do país, o Grupo Clarín, dono da maior provedora de televisão a cabo local, Cablevisión, e do maior jornal, o Clarín.

 

O governo pretende mudar completamente o mapa da mídia argentina para facilitar os objetivos políticos da presidente Cristina Kirchner. Para tanto, o responsável pela aplicação da lei, Gabriel Mariotto, concluirá, nos próximos dias, o chamado "plano técnico de televisão digital", que contém um levantamento detalhado sobre as frequências disponíveis para a realização de licitações públicas.

 

Mariotto é titular da Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual (Afsca) e busca, especialmente, canais locais gratuitos para permitir o livre acesso da população.

 

Atualmente, o Executivo possui seis emissoras próprias e outras cinco aliadas. Com as novas licitações, serão mais de 25 canais de televisão gratuitos, que darão ao governo uma poderosa arma de convencimento e podem fazer a diferença na votação de outubro.

 

A tarifa da assinatura básica de Cablevisión é de 141,80 pesos argentinos (cerca de R$ 60) e a Casa Rodada está convencida de que "será difícil alguém querer pagar para ver televisão quando houver tantos canais gratuitos à disposição", disse um assessor de Mariotto.

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