Governo da Argentina se reúne com Justicialistas amanhã

O encontro entre o governo da Argentina e o Partido Justicialista deverá ocorrer somente amanhã, contrariando as expectativas de uma rodada de negociação ainda hoje. O governo tenta articular um grande consenso para manter a governabilidade nos próximos dois anos que restam ao presidente Fernando De la Rúa. Porém, a emergência da situação coloca como prioridade número um a aprovação do Orçamento de 2002, condição "sine qua non" para que o Fundo Monetário Internacional desembolse a parcela de US$ 1,260 bilhão, tão fundamental para que a Argentina cumpra suas obrigações financeiras, e que o organismo mantenha seu apoio ao país. No entanto, o governo enfrentará uma dura batalha em várias frentes de oposição ao orçamento que reduz gastos das províncias, das áreas social e de educação, e retrocede nos benefícios fiscais concedidos para alentar a produção. A aprovação do orçamento dependerá de um acordo com o principal partido de oposição, o Justicialista (PJ), o próprio partido do governo, a UCR (União Cívica Radical) e a CGT, que possui uma boa parcela de cadeiras na Câmara. A UCR não aceita os cortes na educação, a CGT não aceita os cortes de salários e aposentadorias e a limitação dos saques de depósitos. O líder da CGT dissidente, Hugo Moyano, afirmou que não se sentará a uma mesa de negociação com o ministro de Economia, Domingo Cavallo. O líder da CGT oficial, Rodolfo Daer, também disse que "não haverá nenhum tipo de consenso se não se permite a livre disponibilidade dos salários dos trabalhadores".

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