AP Photo/Dmitri Lovetsky
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Governo da Bielo-Rússia prende dois líderes da oposição

Líder grevista e assessora de candidata derrotada nas eleições consideradas fraudadas foram presos; protestos entram na terceira semana sem perder força

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2020 | 12h17

MINSK - As autoridades da Bielo-Rússia prenderam dois líderes dos protestos contra o governo nesta segunda-feira, 24. Os atos, que ocorrem há três semanas no país, ignoraram ameaças de uso da força por parte do Exército e das forças de segurança e tomaram as ruas de Minsk, capital da Bielo-Rússia, no domingo, 23, para exigir a renúncia do presidente, Alexander Lukashenko, que governa o país há 26 anos.

Em represália, a polícia prendeu Sergei Dylevsky, um funcionário de uma fábrica que se tornou um líder grevista reconhecido, e Olga Kovalkova, uma assessora da candidata derrotada nas eleições de 9 agosto, Svetlana Tikhanovskaya. Svetlana fugiu para a Lituânia, de onde tem liderado um movimento de oposição que pede novas eleições e a renúncia de Lukashenko. 

Dylevsky e Kovalkova integram o comitê de coordenação para a transição democrática, criado pela oposição na semana passada e investigado pelo governo por ser uma "ameaça à segurança nacional". Na semana passada, Dylevsky afirmou ao jornal britânico The Guardian que o "seu ódio superou o medo" e "que estava pronto para ir até o final". Ele afirmou que muitos trabalhadores apoiavam a ideia de uma greve mas tinham medo de perder os empregos. 

O presidente bielo-russo, conhecido no mundo diplomático como “o último ditador da Europa”, foi reeleito para seu sexto mandato com cerca de 80% dos votos há duas semanas.  Imediatamente, a população se mobilizou nas ruas das principais cidades do país, acusando o presidente de fraudar a eleição, exigindo a libertação dos presos políticos e o fim do regime. A União Europeia não reconheceu a eleição de Lukashenko. 

As manifestações contra o governo ganharam uma dimensão tão inesperada que nem mesmo as forças de segurança têm sido capazes de dissipá-las – mais de 7 mil pessoas foram presas, 200 ficaram feridas e 4 morreram, segundo dados oficiais.  

O último ditador da Europa nunca enfrentou protestos dessa magnitude, apesar de ter vencido com folga todas as seis eleições presidenciais desde 1994. Agora, porém, a situação de Lukashenko é mais complicada, porque a Bielo-Rússia vem sendo duramente afetada pela pandemia – e ignorar o coronavírus, como o presidente fez no início, não ajudou. / Com informações da Reuters e AFP 

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