Governo da Bulgária tenta reagir a protestos

O presidente da Bulgária, Rosen Plevneliev, convocou o conselho nacional de segurança nesta terça-feira, enquanto o Parlamento se reuniu para debater uma lei urgente que torne possível reduzir os preços da eletricidade, questão que está na raiz dos contínuos protestos de rua e exigências por reformas políticas radicais.

AE, Agência Estado

26 de fevereiro de 2013 | 14h33

"As exigências dos manifestantes estão se intensificando. Eles desconfiam muito dos partidos políticos", declarou Plevneliev perante a reunião do conselho. Ele disse que há "uma crescente necessidade de encontrar ferramentas apropriadas para resolver a crise".

Os protestos na capital, Sofia, e em outras grandes cidades do país tiveram início duas semanas atrás, como manifestações contra os altos preços dos serviços públicos e a pobreza, mas gradualmente foram se transformando em agitações contra a ordem estabelecida.

Na semana passada, os confrontos entre a política e os manifestantes deixaram mais de 20 feridos e fizeram com que o primeiro-ministro Boiko Borisov anunciasse a saída de seu governo de centro-direita para permitir a realização de eleições antecipadas no início de maio.

Borisov, de 54 anos, foi hospitalizado na segunda-feira com "pressão arterial muito alta". Segundo o diretor do hospital, Lyubomir Spasov, seu estado agora é estável.

Apesar da renúncia do governo, Plevneliev disse que o governo de Borisov ainda é responsável por lidar com a crise até que um governo interino seja indicado na semana que vem.

"O governo, mesmo se renunciar, é totalmente responsável pela situação até que seja indicado um novo gabinete", declarou Plevneliev antes da reunião do conselho de segurança.

No domingo, cerca de 150 mil búlgaros saíram às ruas em mais de 40 cidades de todo o país para participar dos protestos, os maiores desde que o colapso financeiro do país, em 1997.

O presidente advertiu sobre a "desestabilização das fundações do Estado" e pediu que todas as instituições ajam de forma responsável.

Já o Parlamento votou uma proposta de emenda na lei que pode dar aos cidadãos comuns voz no regulador nacional de energia, a agência que determina os preços da energia elétrica. A emenda deve se tornar lei na quarta-feira.

Duas agências de notícias búlgaras informaram que um homem de 53 anos ateou fogo ao próprio corpo nesta terça-feira na prefeitura de Radnevo. As informações, que não puderam ser independentemente confirmadas, indicam que o homem foi levado a um hospital, com várias queimaduras. Este foi o terceiro caso de autoimolação no país neste ano. As informações são da Associated Press.

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