REUTERS/Patty Chen
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China admite que população ativa do país será reduzida em 170 milhões até 2050

Segundo Comissão Nacional de Saúde e Planejamento Familiar, problemas de envelhecimento da população continuarão prejudicando a economia

O Estado de S. Paulo

10 de novembro de 2015 | 12h08

PEQUIM - O governo da China admitiu nesta terça-feira, 10, que, apesar da suspensão da política do filho único, a população ativa do país será reduzida em 170 milhões até 2050, prevendo que os problemas de envelhecimento da população continuarão prejudicando a economia.

De acordo com estatísticas da Comissão Nacional de Saúde e Planejamento Familiar da China (NHFPC), este grupo populacional, que compreende as pessoas entre 15 e 64 anos, cairá de 1 bilhão para 830 milhões em 35 anos.

O porta-voz do órgão, Wenzhuang Yang, garantiu em entrevista coletiva que a recente reforma, que permitirá que casais tenham dois filhos, representará um aumento de 30 milhões de pessoas em idade ativa em 2050.

O número, contudo, não causará um impacto substancial, diante do envelhecimento da população do país. Segundo a NHFPC, os aposentados crescerão dos atuais 212 milhões, para 418 milhões em 2035.

Yang ainda afirmou que a mudança na política do filho único trará consequências reais a longo prazo, aumentando 0,5 ponto percentual na taxa de crescimento econômico do país, segundo dados da Academia Nacional de Ciências Sociais, em razão do aumento na força de trabalho.

Wang Pei'an, vice-ministro da Comissão Nacional de Saúde e Planejamento Familiar, não especificou um período para a meta de crescimento.

Na semana passada, o presidente chinês, Xi Jinping, disse que é possível que o país cresça anualmente cerca de 7% nos próximos cinco anos. "A longo prazo, o efeito positivo no crescimento econômico será significativo", disse Wang.

A adoção de uma política de dois filhos impulsionará a demanda de consumo para casas, educação e saúde e necessidades diárias, aumentando o número de empregos a curto prazo, disse Wang.

A política do filho único começou em 1979, para reduzir os problemas de superpopulação na China. Em 2013, foi autorizado que casais em que apenas um dos membros fosse filho único, tivessem dois descendentes.

Segundo dados de meados de 2015, apenas 1,5 milhão dos 11 milhões de casais aptos solicitaram ter um segundo filho, número muito abaixo das expectativas das autoridades chinesas. /EFE e REUTERS

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