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REUTERS/Aly Song
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Governo da China agora monitora o rosto de gamers noturnos

Tecnologia é muito usada na China para facilitar as atividades diárias e também para regular o comportamento do público

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2021 | 20h08

Para quase todas as restrições de videogame, crianças e adolescentes encontram uma maneira de contorná-las. Mas o espaço de manobra está diminuindo na China, que agora quer usar o reconhecimento facial para controlar quem fica jogando além do toque de recolher cibernético para menores de 18 anos – entre 22 horas e 8 horas –, imposto em 2019. 

A tecnologia é muito usada na China para facilitar as atividades diárias e também para regular o comportamento do público. Os hotéis a utilizam no check-in, enquanto o Estado a usa para rastrear suspeitos de crimes.

A China já havia determinado que jogadores menores de 18 anos deveriam fazer o logon usando seus nomes reais e números de identificação como parte das regulamentações para limitar o tempo diante da tela e controlar o vício em internet.

Mas, antecipando que adolescentes espertos poderiam tentar usar os dispositivos ou identidades de seus pais para contornar as restrições, o conglomerado de internet chinês Tencent anunciou que está fechando a brecha com a adoção da tecnologia de reconhecimento facial em seus videogames.

“Crianças, deixem seus telefones de lado e durmam”, disse a Tencent em um comunicado na terça-feira, quando apresentou oficialmente os recursos, chamados Midnight Patrol. O lançamento desencadeou um debate nas plataformas de internet chinesas sobre os benefícios e os riscos de invasão de privacidade da tecnologia.

Alguns foram a favor dos controles, dizendo que combaterão o vício da internet entre os adolescentes, mas também questionaram como os dados seriam repassados às autoridades. Outros disseram que a Tencent estava assumindo um papel que seria dos pais.

Milhares de usuários na Internet reclamaram dos controles cada vez mais rígidos e do espaço cada vez menor para o anonimato no ciberespaço. Uma hashtag no Weibo, uma plataforma de microblog, lembrou aos jogadores para se certificarem se estavam totalmente vestidos, caso a câmera capturasse mais do que seus rostos.

Xu Minghao, um programador de 24 anos da cidade de Qingdao, disse que excluirá todos os videogames que precisem de reconhecimento facial, citando questões de privacidade. “Não confio em nenhum desses softwares”, escreveu ele.

As preocupações com a privacidade foram amplamente discutidas quando a exigência de registro de nome real para menores foi introduzida em 2019. Descrevendo a tecnologia de reconhecimento facial como uma faca de dois gumes, a Associação da Indústria de Segurança e Proteção da China, um grupo comercial ligado ao governo, afirmou em um artigo publicado no ano passado que a coleta em massa de dados pessoais poderia resultar em violações de segurança.

A Tencent disse que começou a testar a tecnologia de reconhecimento facial em abril para verificar a idade dos ávidos jogadores noturnos e, desde então, a usou em 60 de seus jogos. Em junho, isso levou uma média de 5,8 milhões de usuários por dia a mostrar seus rostos ao fazer o login. E 90% dos que falharam na verificação facial foram bloqueados.

Há muito tempo o governo culpa os videogames por causar miopia, privação de sono e baixo desempenho escolar entre os jovens. Os regulamentos de 2019 também limitaram quanto tempo e dinheiro os usuários menores de idade poderiam gastar jogando videogame.

O reconhecimento facial também será obrigatório a partir de agora para modificar os parâmetros do “filtro parental”. Os pais já podiam ativá-lo para limitar o tempo de jogo de seus filhos. Por enquanto, estas novas restrições se aplicam a cerca de 60 títulos, entre eles o imensamente popular “Honor of Kings”, que conta com mais de 100 milhões de usuários ativos diários na China/ NYT e AFP

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