Manish Swarup/AP
Manish Swarup/AP

Governo da China se irrita com discurso crítico do dalai-lama

Líder disse que budistas tibetanos vivem em 'uma prisão' e manifestou solidariedade à população de Xinjiang

Reuters,

11 de março de 2010 | 11h41

O governo da China reagiu com irritação a um discurso do dalai-lama no qual o líder espiritual afirmou que os budistas tibetanos estão vivendo em condições análogas a uma prisão e manifestou solidariedade à população de Xinjiang.

 

As relações tensas que a China mantém com o líder tibetano se intensificaram depois do encontro dele com o presidente dos EUA, Barack Obama, no mês passado. Pequim considera o dalai-lama como um perigoso separatista, embora o tibetano exilado afirme que busca apenas mais autonomia para o seu povo, sem querer a independência plena.

 

Em discurso na quarta-feira, por ocasião do 51º aniversário da sua fuga do Tibete, após uma frustrada rebelião contra o regime chinês, o dalai-lama se referiu a Xinjiang como "Turquestão Oriental", nome usado por exilados separatistas dessa região chinesa onde vive a etnia islâmica uigur.

 

"Isso expõe e prova sua intenção de dividir a China e destruir a unidade étnica", disse Qin Gang, porta-voz da chancelaria chinesa, respondendo à pergunta de um jornalista sobre o dalai-lama. "Ele distorce a situação no Tibete, ataca e insulta as políticas do governo central para alardear suas alegações separatistas de independência", conclui o porta-voz.

 

No seu discurso, o dalai-lama também acusou Pequim de colocar monges e monjas budistas "em condições análogas a prisões", fazendo com que "os monastérios funcionem mais como museus (...) para aniquilar deliberadamente o budismo."

 

Em 2008, protestos contra o domínio chinês geraram grande violência e repressão no Tibete e em regiões vizinhas, com pelo menos 19 mortos, pouco antes das Olimpíadas de Pequim. O regime comunista negou que tenha havido exageros na reação aos tumultos.

 

"No Tibete, as pessoas podem acreditar no que quiserem, desde que seja legal. O governo não irá interferir. Em vez disso, irá ajudar as pessoas a resolverem os problemas", disse o vice-prefeito de Lhasa, capital do Tibete, Jigme Namgyal, segundo o jornal China Daily. Padma Choling, governador da região recém-nomeado por Pequim, afirmou que "o dalai-lama pode dizer o que quiser, mas o que está sendo feito não será mudado".

 

A edição internacional do Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista, acrescentou em um comentário que a melhor forma de assegurar a estabilidade do Tibete e de Xinjiang é fortalecer o desenvolvimento nessas regiões. O Tibete e Xinjiang irão certamente se desenvolver junto com o resto do país. Se houver estabilidade no país, as fronteiras terão uma paz que durará para sempre", disse o jornal.

 

No ano passado, a violência em Xinjiang entre uigures e membros da etnia han, majoritária na China, deixou pelo menos 200 mortos. Na terça-feira, dezenas de tibetanos exilados na Índia foram detidos por protestos em frente à embaixada chinesa no país.

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