REUTERS|John Vizcaino
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Governo da Colômbia diz que Farc violaram trégua unilateral

Ministro da Defesa, Luis Carlos Villegas, diz que três soldados foram mortos por franco-atiradores no Estado de Caquetá; Bloco Oriental dos guerrilheiros diz que suspendeu 'estudos do acordo de Havana'

O Estado de S. Paulo

11 Maio 2016 | 10h52

BOGOTÁ - O governo colombiano acusou na terça-feira, 10, a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), com a qual mantém um diálogo de paz, de violar o cessar-fogo unilateral ao matar três soldados.

"Nas últimas semanas, ocorreram ao menos três violações do cessar-fogo unilateral, especialmente com o assassinato de soldados, três soldados profissionais mortos por franco-atiradores", disse o ministro da Defesa, Luis Carlos Villegas, em entrevista coletiva concedida em Bogotá.

Com base nas negociações de paz em Cuba, as Farc iniciaram no dia 20 de julho de 2015 um cessar-fogo unilateral que tem mostrado, segundo Villegas, "um alto nível de cumprimento" e ao qual o governo respondeu com a suspensão dos bombardeios aos acampamentos rebeldes.

"O cessar-fogo, mesmo que unilateral, faz parte de uma série de decisões tomadas pelas Farc que não devem ser violadas", afirmou Villegas ao citar a morte de três militares no Departamento (Estado) de Caquetá atribuídas à principal guerrilha do país.

O ministro recordou que o cessar-fogo não incluiu o fim dos crimes da guerrilha contra a população. "As Farc seguem extorquindo, traficando (drogas) e colocando minas".

Em uma mensagem no Twitter, o Bloco Jorge Suárez Briceño das Farc afirmou que após um combate com o Exército no dia 5 de maio, no município de La Uribe (Meta), "suspendemos o estudo dos acordos de Havana até que mude a situação".

Ainda não está claro que mensagem tentou passar o Bloco Suárez Briceño, também conhecido como Bloco Oriental, mas o máximo líder das Farc, Timoleón Jiménez "Timochenko", respondeu no Twitter que "após mais de 10 meses de trégua unilateral não permitiremos que seja entorpecida".

O conflito armado colombiano, que envolveu guerrilhas, paramilitares, agentes do Estado e narcotraficantes, deixou em mais de meio século 260 mil mortos, 45 mil desaparecidos e 6,8 milhões de deslocados. / AFP

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