AFP PHOTO / Luis ACOSTA
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Governo da Colômbia pede explicação às Farc sobre sumiço de três ex-chefes rebeldes

Presidente Iván Duque julgou como grave a incerteza que rodeia a situação dos guerrilheiros

O Estado de S.Paulo

03 Setembro 2018 | 18h23

BOGOTA - O governo da Colômbia exigiu nesta segunda-feira, 3, à ex-guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que esclareça a situação de três de seus líderes que estavam dentro do processo de paz após a falta de pistas sobre seu paradeiro.  

Após semanas de especulações sobre o rumo que haviam tomado Iván Márquez, o número dois da ex-organização armada, Hernán Velásquez, conhecido como El Paisa, e Henry Castellanos, o presidente colombiano, Iván Duque, pediu às Farc que defina o status dos três ex-comandantes rebeldes. 

"Eles estão dentro do processo de desmobilização, desarme, reinserção e não repetição ou não estão? O partido (Farc) tem de dizer se esses senhores estão dentro de essa organização ou não", disse Duque em entrevista à rádio Caracol. 

O presidente, que chegou ao poder em 7 de agosto com a promessa de modificar alguns pontos do acordo de paz com a antiga guerrila, julgou como grave a incerteza que rodeia a situação de Márquez e seus dois companheiros. 

Líder da equipe que negociou o desmobilização e a transformação em partido das Farc, Márquez renunciou ao assento de senador que era reservado no acordo de paz. 

O dirigente anunciou sua decisão quatro dias antes de se instalar o novo Congresso, em 20 de julho, alegando a "desfiguração" do pacto de paz firmado no fim de 2016 e a captura com objetivo de extradição do também ex-guerrilheiro Jesús Santrich, acusado de narcotráfico nos EUA. 

 

Desde então seu paradeiro é um mistério, assim como o de El Paisa e, mais recentemente, o de Romaña. 

Seus casos deixaram evidentes as divisões dentro do novo partido Fuerza Alternativa Revolucionária do Comum (Farc), que celebrou sua segunda convenção no fim de semana. 

Ao mesmo tempo levantou temores sobre o possível regresso às armas dos três ex-guerrilheiros e sua eventual incorporção às dissidências que ficaram às margens das negociações de paz. 

Duque asegurou que Márquez, Romaña e El Paisa deixaram o esquema de segurança que lhes atribuiu o Estado. 

"O que não pode acontecer é que eles deixem os esquemas de segurança e estejam em um lugar indefinido do território nacional, ou da Venezuela", sugeriu o presidente. 

Nesse sentido, advertiu que a força pública os prenderá caso eles estejam "cometendo crimes" e perderão os benefícios jurídicos do acordo de paz. 

Por sua vez, as Farc admitiram que desconhecem onde estão os três líderes, ainda que a senadora desse partido, Victoria Sandino, tenha dito que "alguns companheiros" não participaram da reunião do fim de semana por "falta de garantia em questão de segurança". / AFP 

 

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