EFE/EFRAÍN HERERA
EFE/EFRAÍN HERERA

Governo da Colômbia pede que oposição apoie acordo de paz

Presidente colombiano diz que documento final resolverá as dúvidas sobre o pacto e negou qualquer acordo informal por baixo do pano com as Farc

O Estado de S. Paulo

26 Agosto 2016 | 18h37

BOGOTÁ  - O governo colombiano lançou ontem uma ofensiva para incorporar a oposição, liderada pelo ex-presidente Álvaro Uribe, no processo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), dois dias depois da assinatura do acordo final.  O presidente Juan Manuel Santos disse que o texto entregue na quinta-feira ao Congresso resolverá as dúvidas sobre o pacto e negou qualquer “acordo informal” além do que foi apresentado. 

“Queremos convidar o Centro Democrático (Partido de Uribe) para que, depois da campanha do referendo, sente-se conosco e se una a um grande acordo nacional para implementação e cumprimento do acordo de paz”, disse o ministro do Interior Juan Cristo. 

Segundo a maioria das pesquisas de opinião, os colombianos devem referendar o acordo nas urnas, apesar da oposição do uribismo. O ministro, no entanto, pediu que a votação não se renda à polarização política. 

“O referendo não se trata de um confronto político nem ideológico”, disse. “Os colombianos vão decidir simplesmente se concordam com o acordo de paz que permitirá o fim do conflito armado e a conversão das Farc em partido político.”

Concessões. Santos, por sua vez, negou que o acordo com as Farc implique concessões “por baixo do pano”. Durante a inauguração de uma estrada nos arredores de Bogotá, ele afirmou que as negociações com a guerrilha, intermediadas pelo governo cubano, foram “responsáveis e sérias”. Ele prometeu que o referendo de 2 de outubro deve tirar todas as dúvidas dos colombianos. 

“Quando todos examinarem o acordo, os colombianos perceberão que o que temos dito é verdade: não há nada por baixo do pano e tudo foi feito às claras”, afirmou. “Tudo é público e foi divulgado na internet e por todo o país. É uma negociação séria que trará benefícios enormes ao país.”

Santos afirmou que os acordos serão acompanhados de uma série de compromissos que o governo pretendia adotar houvesse ou não paz com a guerrilha, entre os quais mencionou o fortaleciment da democracia, o acesso à terra e a luta contra o narcotráfico, além da ajuda às vítimas do conflito. O presidente elogiou também a repercussão internacional do acordo.

“Quando os céticos começaram a ler os acordos, se darão conta que a desinformação não era correto. Esse acordo tem reconhecimento mundial e será a votação mais importante de nossas vidas”, acrescentou o presidente. 

O acordo entre Farc e o governo da Colômbia foi assinado na noite de quarta-feira em Havana depois de quase quatro anos de negociações. O conflito no país já durava mais de cinco décadas. /EFE

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