Jewel Samad / AFP
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Governo da Indonésia cogita transformar áreas devastadas em cemitérios

Ministério da Segurança do país asiático admite que pode cessar buscas em bairros soterrados e colocar corpos encontrados em valas comuns

O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2018 | 11h48

O último terremoto na Indonésia, seguido de um tsunami devastador, ocasionou por enquanto 1.649 mortos, de acordo com as atualizações mais recentes do governo do país asiático. Há, até agora, 265 desaparecidas. No entanto, há grandes chances de esse número triplicar após uma força-tarefa de buscas ser instaurada na região, apoiada por ajuda internacional, na cidade de Palu, onde ocorreu o grave incidente há mais de uma semana. A situação é tão preocupante que o governo indonésio fala em transformar as áreas devastadas em cemitérios, com valas comuns.

O ministro da segurança da Indonésia, o ex-general Wiranto, disse que o governo está ponderando a possibilidade de transformar os bairros de  Balaroa e Petobo, em Palu, em generalizadas valas comuns. A região de Petobo foi completamente destruída pelo tsunami e Balaroa também sofreu muito com o desastre.  

Há uma dificuldade enorme de recuperar corpos nesses bairros, onde casas inteiras foram soterradas, enterrando possivelmente centenas de vítimas. De acordo com Wiranto, “não é seguro que equipamentos pesados ​​operem lá”.

Wiranto também disse na televisão local que o governo está discutindo com as autoridades locais e religiosas, e com as famílias das vítimas, a possibilidade de interromper a busca e transformar as áreas em valas comuns. As autoridades temem um número muito maior de mortos, pois grande parte da região afetada permanece inacessível.

Dezenas de agências humanitárias e ONGs ofereceram ajuda ao país, mas o envio de material à região é muito complicado, já que as estradas estão bloqueadas e os aeroportos, muito danificados. A ONU estima que 191 mil pessoas precisam de ajuda urgente após o desastre. O órgão humanitário diz que pelo menos US$ 50,5 milhões são necessários para fornecer ajuda imediata às vítimas e nas buscas pelos corpos e possíveis sobreviventes.

Dezenas de jovens são encontrados vivos

As equipes de resgate da Indonésia encontraram com vida 31 menores de idade que ficaram presos em duas escolas, uma semana depois do terremoto e tsunami, informou neste sábado a agência de resgates Basarnas.

Os menores de idade foram resgatados em dois centros de educação profissionalizante, 23 deles no subdistrito de Marawola, em Sigi, e outros oito em Tondo, localidades situadas ao sul e ao norte de Palu, a capital provincial. O porta-voz da Basarnas não soube precisar a idade dos estudantes, que ficaram isolados sem nenhum adulto nesses centros educativos que costumam ser frequentados por alunos com idades entre 15 e 17 anos.  /AP e EFE

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