Governo da Líbia chama presidente dos EUA de 'delirante', diz Al-Jazira

Segundo TV, porta-voz reagiu à fala de Obama, que disse que Kadafi sairá 'inevitavelmente'

19 de maio de 2011 | 18h25

Homem prepara café em Benghazi enquanto assiste ao discurso de Obama na TV

 

TRÍPOLI - O governo da Líbia disse nesta quinta-feira, 19, que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, é "delirante", segundo a rede de TV Al-Jazira.

 

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Em um discurso realizado nesta quinta-feira no Departamento de Estado, em Washington, Obama disse que o líder líbio, Muamar Kadafi, "inevitavelmente deixará o poder".

 

Um porta-voz do regime em Trípoli, Mussa Ibrahim, disse nesta quinta, segundo a Reuters, que apenas os líbios podem decidir o destino do líder. "Obama ainda está delirante. Ele acredita nas mentiras que o próprio governo e a mídia espalham ao redor do mundo", disse Ibrahim a jornalistas. "Não será Obama a decidir se Kadafi deixará a Líbia ou não. É o povo líbio".

 

As forças de Kadafi têm reagido com violência aos protestos populares que pedem que ele deixe o poder. Em março, as Nações Unidas aprovaram uma intervenção da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no país. No discurso nesta quinta, ao mencionar a Líbia, Obama disse que é "difícil e custoso derrubar um regime pela força militar".

 

Ao dizer que Kadafi "declarou guerra" contra o próprio povo, o presidente dos EUA disse, contudo, que a Líbia é "única". "Se não tivéssemos agido ao lado de nossos aliados da Otan e com nossos parceiros regionais, milhares teriam morrido", afirmou.

 

Obama mencionou o líder líbio ao afirmar que o tempo está contra Kadafi. "Quando Kadafi inevitavelmente sair ou for expulso do poder, décadas de provocação terminarão", disse. Segundo o presidente americano, a oposição líbia organizou um conselho provisório "legítimo e digno de confiança".

 

Nas ruas

 

O pronunciamento foi recebido com ceticismo na capital da Líbia. De acordo com o jornal americano Washington Post, poucas pessoas no mercado central de Trípoli pareciam saber que Obama estava fazendo um discurso. "A maioria dos aparelhos de TV nas lojas estavam ajustados para canais de filmes ou músicas", escreveu o correspondente do periódico no país.

 

Em Benghazi, reduto dos rebeldes líbios, moradores disseram ao jornal que esperavam que Obama tivesse falado mais tempo sobre a Líbia. Segundo o diário, os moradores da cidade "queriam ouvir palavras mais contundentes" contra Kadafi e "mais apoio para a revolução e o governo rebelde".

 

Com Reuters

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