REUTERS/Oswaldo Rivas
REUTERS/Oswaldo Rivas

Governo da Nicarágua retoma controle de cidade rebelde de Masaya

Após confronto com manifestantes, forças policiais e paramilitares retomaram o poder do reduto de manifestantes contrários ao presidente Daniel Ortega

O Estado de S.Paulo

18 Julho 2018 | 03h57

MASAYA, NICARÁGUA - As forças do governo da Nicarágua recuperaram o controle da cidade rebelde de Masaya após um ataque movido nesta terça-feira, 17, por policiais e paramilitares contra o bairro indígena de Manimbó, símbolo dos protestos que deixaram 280 mortos em três meses de manifestações contra o presidente Daniel Ortega. Ao menos duas pessoas morreram no confronto.

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"Hoje foi a vez de Monimbó, Masaya, cujas ruas já foram liberadas dos bloqueios e onde as pessoas já podem circular livremente", informou o governo da Nicarágua em site oficial.

A retomada do poder foi confirmada pelo secretário da Associação Nicaraguense pelos Direitos Humanos, Álvaro Leiva. Segundo ele, após várias horas de combate e "uso desmedido da força" contra manifestantes, as forças do governo tomaram o controle de Masaya. 

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A ação contou com mais de 1000 soldados fortemente armados com metralhadoras. Segundo testemunhas, 37 caminhonetes cheias de agentes da polícia antimotim e parapoliciais fortemente armados entraram de madrugada pelos quatro cantos de Masaya, localizada 30 quilômetros ao sul da capital. Durante os confrontos, vídeos mostravam manifestantes do bairro de Monimbó gritarem que estavam dispostos a morrer por uma "Nicarágua livre". "Se teremos que morrer por nossa pátria, vamos morrer", disse um jovem.

Testemunhas relatam que ouviram disparos de armas de fogo durante todo o período da operação. Militares chegaram a ocupar o hospital de Masaya para impedir o atendimento a manifestantes atingidos. Segundo a presidente do Centro Nicaraguense de Direitos Humanos, Vilma Nuñez, as forças do governo realizaram uma "caça indiscriminada" contra a população e que pelo menos 40 pessoas foram detidas. Pelo menos duas pessoas morreram durante o ataque: uma mulher e um policial.

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Por sua vez, a polícia apenas afirmou que "segue com o compromisso de liberar os bloqueios de vias a qualquer custo".

Durante o ataque, o núncio apostólico da Santa Fé na Nicarágua, Stanislaw Waldermar Sommertag, pediu ao governo e aos manifestantes que cessassem fogo para negociar uma trégua, mas as autoridades rejeitaram a possibilidade.

A oposição afirma que a ação das forças do governo fazem parte de uma "operação limpeza" iniciada nas últimas semanas para retirar das ruas os manifestantes que exigem a renúncia de Ortega, que governa o país desde 2007. Em abril, a cidade de Masaya se rebelou contra o presidente e se tornou um dos principais símbolos dos protestos contra o governo.

Protestos

No último domingo, 15, uma grande operação em Masaya e cidades vizinhas deixou ao menos 10 mortos e muitos feridos, segundo organizações de direitos humanos. A polícia confirmou apenas duas mortes na ação, incluindo um de seus agentes. Neste contexto, o secretário da presidência da Nicarágua, Paul Oquist, declarou que a tentativa de golpe havia terminado.

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"A boa notícia da Nicarágua é que o golpe fracassou, isto é, a tentativa de realizar um golpe de Estado na Nicarágua já foi derrotada", disse Oquist em Bruxelas, ao final de uma reunião de ministros das Relações Exteriores da Europa, América Latina e Caribe. Segundo ele, que é considerado um dos membros de gabinete mais próximos do presidente, já "não há barricadas nas estradas e os estudantes podem voltar a estudar". //AFP

 

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