Governo da Nigéria rejeita pena de morte para jornalista

O governo do Estado de Zamfara, norte da Nigéria, decretou hoje uma fatwa islâmica, ou pena de morte, contra a autora de um artigo sobre o concurso de Miss Universo, que desatou uma onda de distúrbios religiosos na cidade de Kaduna - capital do Estado com o mesmo nome - no qual morreram mais de 200 pessoas. No artigo, a autora sugeria que o profeta Maomé teria escolhido uma das misses como sua mulher."O que estamos dizendo é que o sagrado Alcorão deixa claro que todo o que insultar o profeta do Islã, o grande Maomé, deve morrer", disse Umar Dangaladima Magaji, porta-voz do Estado de Zamfara.O governo federal da Nigéria rejeitou a fatwa contra a jornalista Isioma Daniel, que abandonou o país. Ela havia sido demitida do jornal This Day depois dos graves choques entre cristãos e muçulmanos na cidade de Kaduna e na capital do país, Abuja, onde deveria ser realizado no dia 7 o concurso de Miss Mundo."Um líder islâmico pode decretar uma fatwa, mas neste caso, várias associações islâmicas de Zamfara pediram ao governo local que tomasse medidas e este decidiu que uma fatwa era o mais apropriado para acabar com a tensão e evitar outro banho de sangue", disse Magaji.Mamuda Dallatun Shinkafi, vice-governador de Zamfara - o primeiro dos 12 Estados nigerianos a adotar a sharia (lei islâmica) - comparou Isioma ao escritor inglês Salman Rushdie, sentenciado à morte por clérigos do Irã.Várias candidatas do concurso de Miss Mundo, transferido para Londres, decidiram não participar da disputa após as mortes na Nigéria.

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