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Governo da Rússia adverte contra enviar armas à oposição síria

Ministro de Relações Exteriores, Sergey Lavrov, pediu que outros países não armem a oposição síria, pois isso 'intensificaria hostilidades'

AE, Agência Estado

04 de abril de 2012 | 09h25

BAKU, AZERBAIJÃO - O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, fez advertências nesta quarta-feira a outros países para que não armem a oposição síria, afirmando que a medida só vai intensificar as hostilidades.

As declarações foram feitas durante uma viagem ao Azerbaijão. Lavrov disse que a oposição não será capaz de dominar as forças do governo, mesmo se receberem armas do exterior. Ele advertiu que uma intervenção militar externa vai levar a consequências ainda mais desastrosas para a Síria, onde as forças do presidente Bashar Assad tem reprimido violentamente o levante.

"Mesmo se eles armarem a oposição síria até os dentes, ela não será capaz de vencer o Exército sírio", declarou Lavrov. "A carnificina continuará por muitos anos."

Arábia Saudita e Catar, dois países governados por sunitas, apoiam a ideia de armar a oposição contra o governo xiita de Assad, mas o Ocidente discorda. Países ocidentais preferiram, em vez disso, criar um fundo para os rebeldes, durante uma reunião realizada em Istambul no domingo.

A Rússia, juntamente com a China, barrou duas vezes na Organização das Nações Unidas (ONU) a adoção de sanções contra Assad por causa da sangrenta repressão aos dissidentes. Mas Moscou também declarou forte apoio ao plano de paz de Kofi Annan, que estabelece o dia 10 de abril como prazo final para que as tropas sírias saiam das ruas do país.

Lavrov reafirmou que Assad precisa dar o primeiro passo para encerrar o derramamento de sangue, mas que todos os participantes internacionais devem apoiar as propostas de Annan.

Ele criticou a reunião dos "Amigos do Povo Sírio" realizada no domingo em Istambul, afirmando que o encontrou enviou sinais para a oposição que podem prejudicar o plano de Annan.

"Tudo o que foi decidido prejudica os esforços para encerrar a violência", disse ele. "Eles querem resolver o problema sírio apenas com a oposição, mas é impossível resolver a situação dessa maneira. Eles devem dialogar com todas as partes envolvidas."

Lavrov acrescentou que Moscou vai receber duas delegações de rebeldes sírios para negociações nos próximos dias.

Embora Moscou tenha demonstrado sinais de impaciência com seu antigo aliado, criticando Assad pela demora na adoção de reformas, o país também tem criticado o Ocidente e países do Golfo Pérsico por apoiarem a oposição. O governo russo se opôs fortemente às sanções da ONU contra Assad, dizendo que o organismo não pode se transformar num instrumento de mudança de regime.

As informações são da Associated Press

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