Governo da Síria afirma que 'esmagou' revolta da oposição em Hama

Cidade está sob cerco do Exército desde domingo e sofre com cortes em serviços de abastecimento

Agência Estado

05 de agosto de 2011 | 16h34

BEIRUTE - O governo da Síria afirmou na noite desta sexta-feira, 5, que esmagou a rebelião na cidade de Hama, com a televisão estatal mostrando ruínas de prédios fumegantes e ruas com escombros. Sob um cerco sufocante há dias, os moradores dizem que suprimentos médicos estão em falta e alimentos apodrecem porque Hama está há seis dias sem eletricidade. A cidade, com 800 mil habitantes, está sob cerco das tropas do governo sírio há seis dias.

 

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Dezenas de milhares de sírios marcharam em outras cidades do país, mostrando solidariedade com o povo de Hama e pedindo também o fim do regime autocrático do presidente Bashar Assad, que já dura mais de uma década. As forças de segurança abriram fogo contra os opositores e mataram ao menos 13, informaram ativistas.

 

 

As forças do governo iniciaram seu cerco sobre Hama no domingo, cortando o fornecimento de eletricidade, os serviços telefônicos e de internet e bloqueando a entrada de suprimentos na cidade. Desde do domingo, estima-se que entre cem e 250 pessoas morreram por conta da ação do Exército.

 

A mídia estatal Síria informou que as unidades do Exército estão "trabalhando para restaurar a segurança, a estabilidade e a normalidade em Hama" desde que "terroristas" provocaram o caos na cidade. Pela primeira vez desde o início do cerco, foram transmitidas imagens da destruição na cidade, com destroços, carros destruídos e barricadas contruídas pelos manifestantes.

 

Não houve relatos de protestos na cidade nesta sexta - um contraste em relação aos últimos dias, quando centenas de milhares de pessoas participaram das marchas, as maiores desde que teve início a revolta contra Assad, em março. Esta é a primeira sexta do ramadã, o mês sagrado do islã, e por isso os opositores podem ter optador por permanecer sem protestar.

 

A revolta contra Assad chegou ao quinto mês. Ativistas afirmam que ao menos 1.700 pessoas morreram desde o início dos enfrentamentos entre as forças de segurança e os manifestantes. O governo culpa "grupos armados" pela violência. As informações são da Associated Press.

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