Governo da Síria 'lutará até o fim' contra protestos, diz primo de Assad

Aliado do presidente revela política do governo sobre manifestações ao 'New York Times'

estadão.com.br

10 de maio de 2011 | 16h29

DAMASCO - Rami Makhlouf, um primo e aliado do presidente da Síria, Bashar al-Assad, disse ao jornal americano The New York Times nesta terça-feira, 10, que o governo e a elite sírios lutarão até o fim contra a oposição que quer derrubar o regime no país e que isso poderia levar todo o Oriente Médio ao conflito.

 

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Makhlouf afirmou que a família de Assad, há 40 anos no poder, lutará contra os manifestantes por considerar que eles querem levar o país à guerra civil, e não que são protestos com demandas legítimas. As palavras do primo do presidente deixam transparecer como pensa o rígido regime sírio, que pouco se abre com o Ocidente e nações não alinhadas.

 

 

De acordo com Makhlouf, o conflito na Síria pode se arrastar para outros países no Oriente Médio. "Se não houver estabilidade aqui, não haverá de forma alguma estabilidade em Israel", disse. "De forma alguma, e ninguém pode garantir o que vai acontecer depois. Deus permita que nada aconteça com este regime", continuou.

 

Os protestos contra Assad, que já está há 12 anos no poder, ainda não chegaram nas duas maiores cidades sírias - Damasco e Aleppo -, dois redutos das elites conservadoras, mas, segundo Makhlouf, o governo já deixou clara sua posição. "A decisão é que iremos lutar".

 

A declaração do primo de Assad revela a política do regime - ou está junto, ou enfrenta o caos. "Acreditamos que não há continuidade sem unidade. Não vamos sair, vamos continuar aqui. Lutaremos até o fim. Eles devem saber que quando nós sofremos, nós não sofremos sozinhos", continuou.

 

Os protestos contra Assad ocorrem há quase dois meses. O Exército tem reprimido as manifestações pacíficas brutalmente em diversas partes do país, apesar da pressão internacional para que o regime cesse a violência. Uma ONG afirma que mais de 750 pessoas já morreram nos conflitos.

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