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Governo da Somália está à beira de um colapso, diz presidente

Líder diz que rebeldes islâmicos não controlam apenas 2 cidades; milícia ocupa cidade a 9 km da capital

Agências internacionais,

17 de novembro de 2008 | 08h52

O presidente da Somália, Abdullahi Yusuf, admitiu que seu governo está próximo de um colapso e que milícias islâmicas já controlam a maior parte do país, segundo afirma o jornal The Guardian nesta segunda-feira, 17. Em discurso neste fim de semana, Yusuf disse que o governo controla apelas a capital do país, Mogadiscio, e a cidade de Baidoa, e que "pessoas estão sendo mortas todos os dias. Os islâmicos ocuparam todos os outros lugares".   A Somália está sem um governo operante há 17 anos e sofre contínuos distúrbios. Clãs rivais e grupos armados lutam pelo poder. A mais recente crise política - quando o presidente e o primeiro-ministro, Nur Hassan Hussein, discordaram na formação de um novo gabinete apesar do prazo dado por líderes regionais - acontece no momento em que as milícias ganham espaço rapidamente até Mogadiscio. O Al-Shabaab, o mais extremista e eficaz dos grupos rebeldes no país, tomou controle de Elasha, cidade a nove quilômetros da capital, no sábado. Eles ainda ocuparam as cidades portuárias estratégias de Merka e Barawe sem disparar um tiro, já que as tropas governamentais abandonaram a cidade quando souberam da chegada dos insurgentes.   Apesar dos rebeldes já terem o controle dos subúrbios de Mogadiscio, a grande presença de soldados etíopes impede a tomada de toda a cidade. Porém, segundo o jornal, se o governo somali cair, a missão de 3 mil soldados da missão de paz da União Africana e as tropas da Etiópia serão desnecessárias, visto que não haverá instituição Estatal para ser protegida. Este ponto foi reforçado pelo presidente, que pediu para que um novo governo seja formado o mais breve possível, alertando que, caso contrário, há o risco de "cada um defender a si mesmo".   O Al-Shabaab aumentou o número de ataques contra alvos civis. Acusado pelos EUA de ligação com a Al-Qaeda na África, o grupo adotou práticas similares ao grupo liderado por Osama bin Laden nos últimos meses. Em outubro, cinco ataques suicidas sincronizados mataram 25 pessoas em duas cidades. O grupo islâmico é a ala militar da antiga União das Cortes Islâmicas (UCI) que governou a Somália de junho até o final de dezembro de 2006, quando foi expulsa pelas tropas do governo, com apoio do Exército etíope.   A Somália não tem um governo que controle efetivamente todo o território desde a queda do ditador Mohammed Siad Barre em 1991, quando os chefes de clãs tribais, conhecidos também como "senhores da guerra", tomaram o poder e mergulharam o país numa permanente luta de facções causando milhares de mortos e milhões de refugiados.

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