Governo da Tailândia marca eleições para 3 de julho

O governo da Tailândia marcou eleições nacionais para 3 de julho, após assegurar aprovação real para dissolver o Parlamento amanhã, abrindo o caminho para o que se espera seja uma campanha muito disputada, colocando em campos opostos o Partido Democrático, do primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva, contra os partidários do ex-premiê afastado Thaksim Shinawatra, considerado populista.

AE, Agência Estado

09 de maio de 2011 | 16h18

"Eu acredito que a dissolução do Parlamento dará um novo começo para o povo", disse Abhisit em um discurso na televisão tailandesa no final da tarde de hoje (horário local). A eleição, afirmou, representa "um progresso para a Tailândia e para um processo que resolverá os problemas das pessoas e das suas famílias, dentro do sistema democrático". O porta-voz do governo tailandês, Panitan Wattanayagorn, disse mais cedo que a data das eleições foi marcada para 3 de julho, informou o Wall Street Journal.

Analistas políticos dizem que essa será uma das mais importantes eleições na história da Tailândia e também a que poderá dar a direção da política por vários anos, determinando se o país voltará ao seu rumo após anos de instabilidade ou se então enfrentará mais tumultos e agitações políticas. Uma grande questão é se o eleitores que votaram em Thaksim há cinco anos, antes dele ser derrubado por um golpe militar, irão apoiar o estilo de governo mais cauteloso e tecnocrata de Abhisit.

A eleição será a primeira desde as enormes manifestações de rua que tomaram conta de Bangcoc no ano passado, quando ocorreram choques entre a polícia e os manifestantes com camisas vermelhas, muitos deles partidários de Thaksim. O ex-premiê vive atualmente no exílio, na Europa, para evitar a prisão por uma condenação de corrupção, que ele afirma que foi politicamente motivada. Os tumultos de rua deixaram 91 pessoas mortas, muitas manifestantes.

A Tailândia permanece totalmente dividida, com o oposicionista Partido dos Tailandeses acusando os poderosos militares do país e a burocracia civil do governo de manipularem o sistema judiciário para se manterem no poder. Analistas políticos acreditam que nenhum dos dois maiores partidos conseguirá obter uma maioria parlamentar absoluta e por isso o vencedor dependerá dos instáveis e pequenos partidos políticos para então formar uma coalizão.

Abhisit, um economista de 46 anos que estudou na Grã-Bretanha, disse que antecipou as eleições em vários meses, antes do fim do seu mandato em dezembro, para dar aos eleitores a chance de acabar com os conflitos políticos e permitir que o novo governo tenha o foco em fortalecer a economia. As informações são da Dow Jones.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.